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PASTORAL LITÚRGICA


 

Pastoral litúrgica é o serviço para animar a vida litúrgica, levando em conta o contexto social, histórico, cultural e eclesial das comunidades, tendo em vista a participação ativa, consciente e plena de todos na celebração, para dela colherem os frutos espirituais.

A pastoral litúrgica, com a participação da comunidade ou de seus representantes, ocupa-se com a preparação, realização e avaliação das celebrações. Comporta uma adequada organização da vida litúrgica em todos os níveis eclesiais e uma permanente formação litúrgica do povo, dos ministros e das equipes de liturgia.

 

As liturgias bem celebradas inserem as pessoas, através da ação simbólico-ritual, na vivência do Mistério Pascal de Cristo. A pastoral litúrgica organiza-se tendo como referência os momentos fortes do Ano Litúrgico, festas dos padroeiros, acontecimentos importantes da história da comunidade, celebração dos sacramentos, privilegiando o domingo como dia da Ressurreição, da Palavra, da Eucaristia e da comunidade.

A pastoral litúrgica numa comunidade, paróquia ou diocese funciona com o auxílio de uma organização própria, provida de um plano de trabalho e um cronograma de atividades.

 

1.      Organização da pastoral litúrgica

 

Na perspectiva da pastoral litúrgica encontram-se as equipes (comissões) no âmbito da:

 

a)     Conferência Nacional dos Bispos - o Vaticano II solicitou a constituição de uma comissão de liturgia no âmbito da Conferência Episcopal nacional (cf. SC 44), integrada por bispos e pessoas competentes, com a tarefa de “orientar a ação pastoral litúrgica”, tendo como funções: a tradução, adaptação e publicação dos livros litúrgicos, assessoria para a orientação litúrgica em nível de país e intercâmbio entre as diversas dimensões pastorais, etc[1]. Vale lembrar que a tradução oficial dos textos e sua publicação na língua corrente é da competência da Conferência Episcopal. O bispo diocesano é o moderador e responsável pela disciplina litúrgica no âmbito da diocese.

 

 

b) Diocese e Regional - o Concílio recomendou também uma comissão de liturgia em cada Diocese ou Regional (cf. SC 45). A segunda Instrução para a aplicação dos princípios da Constituição conciliar para a Liturgia apontou como atividades dessa comissão:

·   conhecer a realidade da ação pastoral litúrgica da Diocese;

·   colocar em prática a reforma litúrgica;

·   sugerir aos presbíteros iniciativas práticas para fomentar a vida litúrgica;

·      fazer um planejamento progressivo da ação pastoral litúrgica, recorrendo a pessoas competentes;

·   fazer com que a pastoral litúrgica caminhe de forma integrada com as dimensões bíblico-catequética, de música e arte, com a pastoral de conjunto[2].

b)     Paróquia e comunidades - a animação litúrgica paroquial reveste-se de um caráter bem mais concreto e prático do que nas demais instâncias. A meta é a vida litúrgica paroquial/comunitária, a busca de celebrações bem preparadas e participadas, qualificação dos ministros e servidores.

 

Na paróquia ou comunidade, a pastoral litúrgica é concretizada, dinamizada e viabilizada através de uma equipe de liturgia, unida e entrosada, imbuída da mística do serviço gratuito, comprometida com a vida da comunidade e marcada pelo zelo de preparar celebrações orantes, inculturadas, festivas e repletas de Deus.

As paróquias, nos seus orçamentos anuais, incluirão as despesas com a formação de seus agentes, a aquisição de subsídios e do material necessário para o estudo das equipes e a preparação das celebrações

 

2. Equipes de pastoral litúrgica e equipes de celebração

 

A ação litúrgica organiza-se de forma que leve em conta a participação consciente, ativa e plena dos fiéis. Estará animada pelo fervor da fé, da esperança e da caridade (cf. SC 14). Por sua natureza comunitária, pressupõe o serviço de equipes que, em nome da comunidade eclesial, planejem sua vida litúrgica, preparem e avaliem as celebrações e qualifiquem os ministros e servidores para o desempenho de suas funções.

A presença e atuação das equipes de pastoral litúrgica são lembradas no Vaticano II, quando afirma que “as ações litúrgicas não são ações privadas, mas celebrações da Igreja que pertencem a todo o corpo da Igreja” (cf. SC 26); “cada ministro ou fiel, exercendo o seu ofício, faça tudo e só aquilo que pela natureza da coisa ou pelas normas litúrgicas lhe compete” (SC 28); “os que servem ao altar, leitores, comentaristas e o grupo de cantores.... exercem também um verdadeiro ministério litúrgico” (SC 29). O Concílio evidencia ainda a necessidade da atuação de equipes, quando se refere ao incremento da vida e da ação pastoral litúrgica (cf. SC 41-46).

 

A Instrução Geral sobre o Missal Romano, apresenta alguns critérios que orientam a existência e o agir das equipes de pastoral litúrgica:

 

o   evite-se “qualquer tipo de individualismo” (IGMR 95);

o  “forme-se um único corpo pela participação comum nos mesmos gestos e atitudes” (IGMR 96);

o   “ninguém se recuse a servir com alegria ao povo de Deus, sempre que solicitado para algum ministério particular ou função na celebração” (IGMR 97);

o   a “preparação prática de cada celebração litúrgica, com espírito dócil e diligente, de acordo com o Missal e outros livros litúrgicos, seja feita de comum acordo por todos aqueles a quem diz respeito, seja quanto aos ritos, seja quanto ao aspecto pastoral e musical, sob a direção do reitor da igreja e ouvidos também os fiéis naquilo que diretamente lhes concerne” (IGMR 111);

o   “na organização da celebração da Missa, quem preside leve mais em conta o bem espiritual de toda a assembleia do que o seu próprio gosto. Lembre-se ainda de que a escolha das diversas partes deve ser feita em comum acordo com os que exercem alguma função especial na celebração, sem excluir absolutamente os fiéis naquilo que se refere a eles de modo mais direto” (IGMR 352);

o   antes da celebração, o diácono, os leitores, o salmista, o cantor, o comentarista, o grupo dos cantores saibam exatamente cada um qual ação lhes compete, para que nada se faça de improviso, pois a harmoniosa organização e execução dos ritos muito contribuem para dispor os fiéis à participação da ação litúrgica (IGMR 352).

 

A ação das equipes de pastoral litúrgica é um ministério. Elas são o coração e o cérebro da animação das celebrações e do desenvolvimento da pastoral litúrgica. Na atual prática eclesial da animação litúrgica, interagem as equipes de pastoral litúrgica e as equipes de celebração.

 

2.1. Equipe de pastoral litúrgica.

 

É indispensável ter uma equipe estável de pastoral litúrgica, distinta das equipes de celebração[3]. A meta da equipe de pastoral litúrgica é favorecer a participação ativa nas ações litúrgicas em vista da edificação da Igreja em comunidades vivas, comprometidas com a missão de Jesus Cristo e com a prática da caridade.

Ela atua em vista da animação da vida litúrgica numa paróquia ou diocese e tem como funções:

 

·   planejar, animar, coordenar e avaliar a vida litúrgica das comunidades “que deve expressar a dupla vertente da obediência ao Pai (glorificação) e da caridade com os irmãos (redenção)” (SD 34);

·   garantir a celebração do mistério pascal de Cristo, dando particular atenção às celebrações dos tempos significativos do Ano Litúrgico, da diocese e da paróquia;

·   constituir, formar e fortalecer as equipes de celebração nas comunidades;

·   zelar pela dimensão celebrativa do conjunto da ação evangelizadora e pastoral, da qual a liturgia é fonte e culminância;

·   promover a vida litúrgica, fonte da espiritualidade e do engajamento cristão;

·    integrar as diferentes equipes de celebração da Palavra de Deus, da Eucaristia e dos demais sacramentos e sacramentais;

·   introduzir os fiéis nas diferentes formas celebrativas, na oração pública da Igreja, fonte de piedade e alimento da oração pessoal (cf. SC 90).

·   favorecer a reflexão inculturada e a busca de um novo estilo celebrativo, à luz das orientações da Igreja;

·   elaborar subsídios, prover meios que dinamizem e sustentem a formação litúrgica progressiva e permanente das comunidades e dos ministros;

·   construir, pela liturgia, comunidades eclesiais vivas e missionárias.

 

Em síntese, as principais tarefas da equipe de pastoral litúrgica são: animação da vida litúrgica, planejamento, coordenação, formação, assessoria e avaliação.

 

A equipe de pastoral litúrgica integra pessoas engajadas na vida da comunidade que, animadas pela fé, assumem e realizam de forma corresponsável e competente o serviço de animação litúrgica. O ideal é que ela seja plural, isto é, que reflita e integre a diversidade de idades, sensibilidades e engajamentos nas diversas dimensões da pastoral da Igreja[4].

 

A equipe de pastoral litúrgica atua bem quando constituída por pessoas que amam a liturgia e prestam serviço de forma gratuita e desinteressada, aceitando trabalhar em equipe e aderindo ao processo de formação permanente. Ela é, antes de tudo, uma equipe de vida, de oração, imbuída do espírito do serviço gratuito e comprometida com a santidade e a espiritualidade da comunidade[5].

 

Para uma efetiva participação e crescimento eclesial, é muito importante que, periodicamente, se renove o quadro de seus membros. Isto evitará os monopólios, o cansaço e a rotina[6].

 

2.2. Equipe de celebração[7]

 

Estas são encarregadas diretamente das celebrações da Palavra de Deus, da Eucaristia (missas), do Batismo, do Matrimônio, das Exéquias e das Bênçãos nas paróquias e comunidades. Destas equipes fazem parte, especialmente, leitores, ministros da distribuição da sagrada comunhão eucarística, recepcionistas, salmistas, cantores e instrumentistas, animadores, comentaristas e ministros que presidem.

 

Tarefas da equipe de celebração

 

A equipe de celebração, como expressão do sacerdócio comum do povo de Deus e em nome da comunidade tem como tarefas:

 

·      preparar, com certa antecedência, as celebrações, de forma criativa, simples, alegre, acolhedora, participativa e adaptada à cultura e à experiência religiosa da comunidade;

·      organizar o espaço celebrativo de modo agradável, acolhedor e orante;

·      preparar tudo o que for necessário para uma determinada forma celebrativa;

·       prever os diferentes elementos e momentos da celebração, tendo em vista a integração entre o mistério celebrado e a vida das pessoas;

·      definir as expressões e gestos simbólicos;

·       escolher os cânticos e hinos levando em conta os momentos da celebração, o tempo litúrgico e a experiência da comunidade;

·      distribuir correponsavelmente as diversas funções e serviços:

·      preparar-se técnica e espiritualmente para o desempenho competente das funções litúrgicas, tendo em vista a participação ativa da assembleia;

·      executar ritualmente o que a equipe preparou e/ou auxiliar na execução dos elementos rituais;

·      avaliar, periodicamente, a prática celebrativa à luz da vida da comunidade eclesial e da vida como um todo, isto é, enraizada na realidade do bairro, da cidade ou do meio rural. A liturgia deverá ser sensível às condições do povo[8].

As equipes de celebração evitarão o uso de folhetos litúrgicos ou livretos pela assembleia celebrante. Eles podem empobrecer a ação simbólica e destruir a sacramentalidade da liturgia. A atenção de todos deve estar centrada no altar, no ambão e na ação de quem preside ou anima a celebração. A proclamação da Palavra de Deus, das Orações Eucarísticas e das outras Orações deve ser acompanhada, ouvida e vivenciada com o olhar e o coração voltados para as pessoas que exercem em nome de Cristo o ministério litúrgico. Como povo sacerdotal não somos leitores de folhetos, mas atores da liturgia.

 

3. Formação litúrgica

 

A formação litúrgica é um dos eixos dinamizadores da renovação litúrgica promovida pelo Concílio Vaticano II. A equipe de pastoral litúrgica tem a missão de promover e desencadear, nas paróquias e dioceses, um processo permanente de iniciação de todos os participantes da liturgia (fiéis e ministros), por meio de catequese litúrgica, encontros, seminários e cursos, visando a:

 - que todos possam participar ativa e conscientemente da ação litúrgica;

- que a celebração seja sempre mais expressiva e orante;

- que possa levar ao enriquecimento espiritual de todo o povo[9].

 

Para tanto, é mister que, antes de tudo, se programe e se promova boa formação litúrgica, inicial e permanente, para todos os cristãos e cristãs, desde os professores dos institutos de teologia até os fiéis das nossas comunidades (cf. SC 14-19).

 

As pessoas que integram as equipes de animação litúrgica tenham sólida formação e competência no que diz respeito aos diferentes aspectos das celebrações[10]. Formação e competência espiritual, técnica e litúrgica compreendem conhecimento, vontade, sensibilidade e vivência do que significa celebrar os mistérios da salvação.

A formação para a vivência litúrgica e a participação ativa nos momentos celebrativos deve se constituir em verdadeira escola de vida, na qual se integram a experiência celebrativa, os conteúdos e a prática (iniciação mistagógica). A autêntica formação litúrgica nasce da celebração e integra a prática com o ensino.

 

A necessária formação à sadia criatividade, à adaptação e à inculturação litúrgica emerge como um desafio: “Tenha-se presente que a grande meta da formação litúrgica ampla e profunda é preparar agentes para a adaptação e a inculturação da liturgia”[11]. O fato de não se dar a devida atenção ao processo de uma sã inculturação da liturgia “faz com que as celebrações sejam ainda, para muitos, algo ritualista e privado que não os leva à consciência da presença transformadora de Cristo e de seu Espírito, nem se traduz em compromisso solidário para a transformação do mundo” (SD 43).

 

4. Plano da organização litúrgica

 

Um bom meio para articular o serviço da animação da vida litúrgica de uma paróquia, diocese ou regional é o plano de ação da equipe de liturgia. Um plano bem feito e realista permite caminhar com mais segurança, sabendo-se aonde se quer chegar. Existem diferentes modos de se elaborar um plano. O mais importante é começar pelo planejamento do rumo e das atividades que vão garantir o verdadeiro serviço de pastoral litúrgica. A própria ação de elaborar o plano ou o calendário de atividades se constitui em exercício de comunhão e de participação.

 

Como toda programação, também um plano de ação da equipe de liturgia supõe: conhecer bem a realidade da vida da paróquia, da diocese ou da comunidade; a partir do levantamento ou do diagnóstico da realidade, estabelecer as prioridades (ter clareza sobre as principais necessidades e ações); definir o que se quer alcançar (objetivos geral e específico); fazer um levantamento dos recursos humanos (pessoas), econômicos (dinheiro), materiais (local para reuniões e dos meios disponíveis); elaborar a programação de projetos ou atividades (pode-se seguir o esquema: o quê, como, quem, quando, com quê e onde); prever a avaliação das atividades realizadas.

 

Um bom começo para o processo de planejamento da equipe de liturgia é a elaboração do calendário de atividades, no qual são previstas as atividades relacionadas aos tempos e festas do ano litúrgico; datas e festas da paróquia ou da comunidade; datas especiais e reuniões da equipe de liturgia; atividades relacionadas à catequese, à pastoral do batismo, etc.

 

 

 

(Texto extraído do GUIA LITÚRGICO PASTORAL DA CNBB).

 



[1] No Brasil, a Comissão Litúrgica em nível de Conferência intitula-se Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia, integrada por três bispos, um deles como Presidente, e por três assessores nos setores de Pastoral Litúrgica, Música e Canto Pastoral, Espaço Celebrativo e Arte Sacra.

[2] Cf. Instrução Inter Oecumenici (26.09.1964), n. 45-47.

[3] Cf. CNBB, Animação da Vida Litúrgica no Brasil (Documento 43), n. 187 e 215.

[4] Cf. Idem, n. 216.

[5] Cf. SIVINSKI M., Pastoral Litúrgica, em Curso de Especialização em Liturgia (Cadernos de Liturgia 4), São Paulo, Paulus, 1995, p. 114.

[6] Cf. CNBB, Animação da Vida Litúrgica no Brasil (Ducumento 43), n. 216.

[7] Cf. Idem, n. 217.

[8] Cf. Ibidem, n. 194.

[9] Cf. Ibidem, n 189.

[10]Nesta perspectiva permanece mais do que nunca a necessidade de incrementar a vida litúrgica no interior de nossas comunidades, através de uma formação adequada dos ministros e de todos os fiéis, em vista da plena, consciente e ativa participação nas celebrações litúrgicas auspiciada pelo Concílio”. Carta Apostólica do Sumo Pontífice João Paulo II no XL aniversário da SC.

[11] Cf. CNBB, Animação da Vida Litúrgica no Brasil (Documento 43), n. 195; Cf IGMR 386-398; 

 

ResponsávelCNBB

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