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Equipe Diocese São Luíz


Pe. Evandro Stefanello




Ordena??o Diaconal: 2002-12-28
Ordena??o Sacerdotal: 2003-07-19
E-Mail:
Idade:43anos
Endereço:
Telefone:
Paróquia:





BIOGRAFIA



Vou contar um pouco da minha história de vida, a minha história com Deus. Mas por que com Deus? Porque Deus é quem me deu a vida e, me dando a vida, ele me deu a oportunidade de ter uma história. Todos nós temos uma história, ninguém tem o direito de dizer ao outro: você não tem uma história, não fez nada. Isto não é verdade, pois todos, do mais novo ao mais velho, temos uma história construída ou a construir.



Construir minha história foi possível, também, porque outros construíram suas histórias. Duas histórias que se encontraram a muito tempo atrás e que deixando pai e mãe tornaram-se uma só carne dando continuidade a uma única história de amor e, no seu amor, quiseram que eu fizesse parte desta que pelo sacramento do matrimônio tornou-se uma única história. Estes são meus pais, Edemar Cargnin Stefanello e Noeli Maria Coradini Stefanello. São duas pessoas que, neste mundo, amo tanto (primeiramente a Deus: 1o mandamento) e que procuro honrá-los sempre



(honrar pai e mãe: 4o mandamento). Assim eu nasci para este mundo (pois Deus já me conhecia antes mesmo do ventre de minha mãe) em 27 de fevereiro de 1976 às 18hs no hospital São Luiz em Cáceres, Mato Grosso. Foram meus pais que me ensinaram a rezar. Eu me lembro que um dia, enquanto minha mãe lavava a louça na cozinha, eu estava com meu pai e minha irmã no quarto e eu disse ao meu pai: ensina-me a rezar, e meu pai ensinou o Pai-Nosso e a Ave-Maria. Como na história de vida dos meus pais tinha mais espaço vieram



a somar conosco, como presente de Deus para nossas vidas, a minha irmã Joselaine Stefanello Mequias, casada com Avelomar Mequias e que receberam como presentes de Deus meus sobrinhos Rodrigo Stefanello Mequias e Ana Carolina Stefanello Mequias. Sete anos depois do meu nascimento recebemos outro presente de Deus, o meu irmão André Luis Stefanello que hoje é casado com Leiliane Stefanello. Assim a família ficou completa e cada um deu continuidade à sua história. É nesta continuidade que eu conto a minha história.



No dia 29 de fevereiro de 1976, dois dias depois de nascido, por morar longe da cidade, fui batizado na Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro pelo Padre Frei Ives Terral, porém minha comunidade de vivência da fé era a Capela Nossa Senhora do Carmo no Bairro do junco, onde fiz toda a minha catequese, minha primeira comunhão e minha crisma. Meus padrinhos de batismo foram meus avós paternos Aurélio João Stefanello e Inês Cargnin Stefanello. Tenho muito a agradecer aos meus avós, acima de tudo o exemplo de fé que transmitiram a toda a família.



Do meu nascimento até mais ou menos uns cinco ou seis anos morávamos todos juntos com meus avós que tinham nove filhos. Eu cresci neste ambiente familiar junto com irmãos e minhas primas (Marcia, Adriana e Rosa Maria). Apesar das dificuldades eu agradeço a Deus por ter me proporcionado uma infância maravilhosa. Quando tinha três anos de idade, fui com meus pais visitar o irmão da minha mãe, Egide Coradini, que morava em Palotina-PR e que, por graça e chamado de Deus, é sacerdote Palotino. Me chamou muito atenção a vida dos sacerdotes no seminário de Palotina onde trabalhava meu tio. Depois desta visita algo foi despertado em mim e comecei a dizer que gostaria de ser padre. Na verdade nem sabia o que significava ser padre, mas a vida do meu tio me encantou.



A partir dos sete anos, chegada a idade da escola, fui morar com minha avó em Cáceres e neste período participava das missas na Capela de Nossa Senhora do Carmo no Bairro do Junco. Logo depois meus pais também vieram residir em Cáceres, também no Bairro do Junco. Foi nesta Igreja que comecei minha catequese e com a graça de Deus recebi minha primeira comunhão e a crisma. As pessoas mais antigas da comunidade do Junco se lembram que eu era muito impaciente, praticamente não parava dentro da Igreja.  Me recordo uma vez que o Pe. Zezinho (ele também se recorda deste fato) estava fazendo a homilia e demorava um pouco para finalizá-la. Eu, com minha impaciência disse: esse padre não vai mais parar de falar? O problema é que falei alto e quase toda a Igreja ouviu. Assim foi minha infância na Igreja, meio sem paciência, mas gostava muito de participar da Igreja e ainda hoje gosto muito da capela de Nossa Senhora do Carmo no Bairro do Junco.



Quando eu tinha mais ou menos uns 12 anos, veio de Cuiabá para fazer um trabalho vocacional o Pe. Osvaldo Scot, Salesiano. Nestes dias ele perguntava se alguém sentia o chamado para ser padre. Se assim fosse, que falasse com ele. Eu fiz isto, falei com o Pe. Osvaldo e ele foi  em casa falar com meus pais. Eu sei que estávamos organizando para eu fazer uma experiência em Cuiabá, mas como eu era muito novo, o bispo na época, Dom Máximo, pediu que não fosse, que esperasse um pouco mais de tempo.



Com este pedido do Bispo deixei de ir para Cuiabá, mas minha vontade de ser padre continuava. Em 1991 fui para Araputanga onde comecei a participar do grupo de jovens e conheci o  Monsenhor Celso Duca. Neste ano foi a ordenação sacerdotal dos Padres José Maria e Hilário. Logo após a missa, Pe. Celso disse que se alguém sentisse o chamado a ser padre que viesse falar com ele. Animado pelas duas ordenações eu achei que era o momento de tomar uma decisão e assim fiz. Fui falar com Monsenhor Celso e disse a ele que gostaria de ser padre. Monsenhor Celso me acolheu muito afetuosamente e começou a me orientar, me deu um pequeno livro dos evangelhos para que eu lesse. Comecei então minha caminhada rumo ao sacerdócio.



Monsenhor Celso me levou para participar de dois encontros vocacionais em Jauru no ano de 1991. Neste período eu trabalhava no Juba Supermercado de Araputanga e meu chefe, e hoje amigo, era o Marcelo. O Monsenhor Celso foi pessoalmente pedir ao Marcelo que me liberasse para participar dos encontros vocacionais. E desta forma fui ao primeiro (aqui conheci meu amigo e irmão Pe. Rogério) e ao segundo. No final do segundo encontro vocacional o então diácono Benedito C. de Lima me convidou para ingressar no seminário.



Recordo-me  como se fosse hoje. No dia 03 de fevereiro de 1992, ao meio dia, cheguei em Jauru. Desci do ônibus em frente à Igreja Nossa Senhora do Pilar e me dirigi até o seminário juntamente com outros amigos de Araputanga: Celio, Edson e Aguinaldo.  Em Jauru, recebi minha primeira formação espiritual e religiosa das mãos do Servo de Deus Padre Nazareno Lanciotti, do Monsenhor Celso Duca (que foi meu confessor e diretor espiritual durante todo o período do seminário menor), do Pe. Benedito e de Dom Paulo Antonio de Conto, que era Bispo de Cáceres, na época. Permaneci em Jauru por quatro anos, período em que cursei a oitava série e o segundo grau nas escolas CENEC e Deputado João Evaristo Curvo.



Em 1996 fui enviado para o seminário maior em Apucarana-PR, onde cursei a filosofia no Instituto Filosófico de Apucarana que tinha como reitor o Pe. Alberto Martins (Pe. Albertinho). Terminei a filosofia em 1998. Neste Período fiz pastoral na Cidade de Faxinal (Paróquia S. Sebastião) e em Apucarana (Paróquia Cristo Rei).



No ano de 1999 fui enviado para Campo Grande – MS, para os estudos filosóficos. Lá permaneci por quatro anos no Seminário Maria Mãe da Igreja e tive como reitores o Pe. Wilson de  Sa e Bento Moreira.



Estudava no Instituto Teológico dos Oeste I e II da CNBB que tinha como diretor o Pe. Carlos Botura e depois o Pe. Afonso Tremba. Neste período fiz pastoral na Paróquia Maria Mãe da Igreja e Cristo Rei.



Logo após o término dos estudos teológicos em 2002, fui ordenado diácono no dia 28 de dezembro do mesmo ano na Paróquia São Luiz (Catedral) por Dom José Vieira de Lima. Como primeiro trabalho pastoral fui enviado, em fevereiro de 2003, à paroquia São José em São José dos Quatro Marcos para ajudar o Pe. George Martin. Em março deste mesmo ano Dom José me convidou para ser Coordenador Diocesano de Pastoral, função que desempenhei até o ano de 2010. No período em que trabalhei à frente da coordenação de pastoral pude contar com a ajuda de muitos leigos que, com fé e amor, davam seu tempo para a construção do Reino de Deus. Muitos sacerdotes e religiosos da diocese e de outras dioceses me deram uma grande contribuição, principalmente o Pe. Jair Fante que trabalhava à frente do Regional oeste 2 da CNBB e o Pe. Antenor Petini que era diretor do SEDAC. Também contei com a ajuda de muitas religiosas que com amor e dedicação se empenhavam em ajudar a nossa Diocese.



Desempenhado o serviço diaconal Dom José me ordenou Sacerdote no dia 19 de julho de 2003 na Paróquia Nossa Senhora de



Fátima em Araputanga-MT. Foram padrinhos de ordenação o Sr. Julio Maria de Oliveira e Irene Dalprà Oliveira. Foi, sem dúvida, um dia de muitas graças que recebi de Deus. Coloquei como lema da minha ordenação sacerdotal o mesmo lema da ordenação sacerdotal do meu tio: “coloco o dom recebido de Deus a serviço dos irmãos”. Logo depois da ordenação continuei como vigário de São José dos Quatro Marcos e ao mesmo tempo desempenhava a função de Coordenador Diocesano de Pastoral.



Em 2003 comecei a lecionar Cultura Teológica na Faculdade Católica Rainha da Paz onde fiquei até 2009. Foi um período muito frutuoso, pois ali comecei a entender e compreender os jovens de hoje.



Em 2004, por questões de distâncias e incompatibilidade com a função que exercia na diocese fui transferido para a Paróquia da Catedral São Luis para ajudar o Pe. Adão Francisco e dar continuidade aos trabalhos na coordenação de Pastoral da Diocese.



Acredito que em 2008 fui transferido para a Paróquia Nossa Senhora de Fátima em Araputanga para dar uma ajuda ao Monsenhor Celso. Neste período trabalhava em Araputanga e em Cáceres na Coordenação de Pastoral. Enquanto estava em Cáceres ajudava ao falecido Pe. Pedro na Paróquia Cristo Trabalhador e principalmente na comunidade São Judas Tadeu no Bairro Monte Verde.



Com a chegada de Dom Vilar à Diocese fui convidado a dar mais uma ajuda ao crescimento do Reino de Deus com os estudos em Roma, onde cheguei no dia 20 de agosto de 2010 e onde estou até o momento. Em junho deste ano de 2013 terminei o mestrado em Direito Canônico e me preparo para iniciar o doutorado em outubro deste mesmo ano. Enquanto estou estudando na Universidade Pontificia Salesiana de Roma, moro em uma comunidade salesiana chamada Dom Rua. No período de Natal e Páscoa ajudo na Paróquia de Nossa Senhora Assunta no município de Casale sul Sile, próximo a Veneza.



Se me perguntarem: Pe. Evandro, o senhor está feliz sendo Padre? Eu respondo: não estou feliz, mas sou feliz porque o Senhor me chamou a ser padre. Ser feliz é diferente de estar feliz. Quando si é feliz, mesmo diante dos problemas, é possível continuar sendo feliz.



Lema sacerdotal: “Coloco o Dom recebido de Deus a serviço dos irmãos''. O lema da minha ordenação sacerdotal tem como fundamento a passagem de 1Pedro 4,10: “Cada um viva de acordo com a graça recebida e coloquem-se a serviço dos outros, como bons administradores das muitas formas da graça que Deus concedeu a vocês”.



Nesta passagem somos convidados a colocar a serviço dos irmãos todos os dons que recebemos, visto que, tudo o que recebemos, é para a glória de Deus. Somos também portadores e transmissores do amor e da bondade de Deus. Se um cristão retém para si o dom recebido de Deus e não o divide com a comunidade está sendo como aquele que recebeu os dons do Senhor e os escondeu. Quando o Senhor virá e nos cobrar o que fizemos com os dons que ele nos Deus, o que responderemos? Responderemos que fumos egoístas e guardamos os dons? 



Responderemos que tivemos medo de colocar os dons a serviço dos outros? Ou responderemos que os dons que recebemos geraram outros milhares de dons para a comunidade? Devemos pensar sobre estas interrogações.



Para expor melhor o meu lema de ordenação tentarei dividi-lo em três partes que não estão separas entre si, mas que se complementam, pois se trata de uma única realidade: 1) Dons do Espírito Santo; Serviço; Próximo.



1. Dons do Espírito Santo


Todos os dons que nós recebemos nos são comunicados pelo Espírito Santo enviado por Jesus para dar continuidade à missão de nos revelar a verdade e de nos manter na fé. Dito isto somos obrigados a reconhecer que todos os dons são riquezas que brotam da Alma de Cristo comunicadas pelo Espírito Santo que é em intima união com o Pai e com o Filho (“A prova de que vocês são filhos é o fato de que Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho que clama: Abba, Pai!” Gl 4,6). A ação do Espírito Santo toma vários aspectos e várias formas segundo a necessidade dos seres humanos em correspondência à faculdade ou parte da alma a ser aperfeiçoada (“Mas temos dons diferentes, conforme a graça concedida a cada um de nós. Quem tem o dom da profecia, deve exerce-lo de acordo com a fé; se tem o dom do serviço, que o exerça servindo; se do ensino, que ensine; se é de aconselhar, aconselhe; se é de distribuir donativos, faça-o com simplicidade; se é de presidir à comunidade, faça-o com zelo; se é de exercer misericórdia, faça-o com alegria.” Rm 12,6-8). Seguindo a explicação de São Paulo cremos que na Igreja ou na comunidade civil temos espaço para colocar a serviço cada dom que cada pessoa recebe do Espírito Santo.



No capitulo 12 da Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios temos um bela explicação sobre os dons do Espírito Santo que não podemos deixar de mencioná-la:



1.                  Sobre os dons do Espírito, irmãos, não quero que vocês fiquem na ignorância



2.                  Vocês sabem que, quando eram pagãos, se sentiam irresistivelmente arrastados para os ídolos mudos.



3.                  Por isso, eu declaro a vocês que ninguém, falando sob a ação do Espírito de Deus, jamais poderá dizer:  "maldito Jesus" E ninguém poderá dizer: "Jesus é o Senhor!" a não ser sob a ação do Espírito Santo. 



4.                  Existem dons diferentes, mas o Espírito é o mesmo;



5.                  diferentes serviços, mas o Senhor é o mesmo;



6.                  diferentes modos de agir, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos.



7.                  Cada um recebe o dom de manifestar o Espírito para a utilidade de todos.



8.                  A um, o Espírito dá a palavra de sabedoria; a outro, a palavra de ciência segundo o mesmo Espírito;



9.                  a outro, o mesmo Espírito dá a fé; a outro ainda, o único e mesmo Espírito concede o dom das curas;



10.                  a outro, o poder de fazer milagres; a outro, a profecia; a outro, o discernimento dos espíritos; a outro, o dom de falar em línguas; a outro ainda, o dom de as interpretar.



11.                  Mas é o único e mesmo Espírito quem realiza tudo isso, distribuindo os seus dons a cada um, conforme ele quer.



12.                  De fato, o corpo é um só, mas tem muitos membros; e no entanto, apesar de serem muitos, todos os membros do corpo formam um só corpo. Assim acontece também com Cristo.



13.              Pois todos fomos batizados num só Espírito para sermos um só corpo, quer sejamos judeus ou gregos, quer escravos ou livres. E todos bebemos de um só Espírito.



14.              O corpo não é feito de um só membro, mas de muitos.



15.              Se o pé diz: "Eu não sou mão; logo, não pertenço ao corpo", nem por isso deixa de fazer parte do corpo.



16.              E se o ouvido diz: "Eu não sou olho; logo, não pertenço ao corpo", nem por isso deixa de fazer parte do corpo.



17.              Se o corpo inteiro fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo ele fosse ouvido, onde estaria o olfato?



18.              Deus é quem dispôs cada um dos membros no corpo, segundo a sua vontade.



19.              Se o conjunto fosse um só membro, onde estaria o corpo?



20.              Há, portanto, muitos membros, mas um só corpo.



21.              O olho não pode dizer à mão: "Não preciso de você"; e a cabeça não pode dizer aos pés: "Não preciso de vocês."



22.              Os membros do corpo que parecem mais fracos são os mais necessários;



23.              e aqueles membros do corpo que parecem menos dignos de honra são os que cercamos de maior honra; e os nossos membros que são menos decentes, nós os tratamos com maior decência;



24.             os que são decentes não precisam desses cuidados. Deus dispôs o corpo de modo a conceder maior honra ao que é menos nobre,



25.             a fim de que não haja divisão no corpo, mas os membros tenham igual cuidado uns para com os outros.



26.             Se um membro sofre, todos os membros participam do seu sofrimento; se um membro é honrado, todos os membros participam de sua alegria.



27.             Ora, vocês são o corpo de Cristo e são membros dele, cada um no seu lugar.



28.             Aqueles que Deus estabeleceu na Igreja são, em primeiro lugar, apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro lugar, mestres... A seguir vêm os dons dos milagres, das curas, da assistência, da direção e o dom de falar em línguas.



29.             Por acaso, são todos apóstolos? Todos profetas? Todos mestres? Todos realizam milagres?



30.             Têm todos o dom de curar? Todos falam línguas? Todos as interpretam?



31.             Aspirem aos dons mais altos. Aliás, vou indicar para vocês um caminho que ultrapassa a todos.



Na comunidade cristã não podemos ter a pretensão de querer manipular o Espírito Santo ou mesmo de querer ser melhor ou mais importante do que o outro, pois o Espírito Santo, que me deu tal dom, é o mesmo que deu ao outro. Recebemos igualmente, porém cada um recebe um dom diferente para suprir todas as necessidades da comunidade. O Espírito Santo não é um privilégio daqueles mais dotados, e os dons não são dados a um número restrito de gênios e de heróis, mas são dados a todos que, no Batismo, recebem a visita do Espirito Santo que lhes dá uma nova genialidade divina, um novo heroísmo do qual  todos são capazes, na medida em que se deixam trabalhar pelo Espirito Santo. Desta forma, nos esclarece S. Paulo, ninguém é mais importante do que o outro mas todos devemos colocar a serviço de todos os dons que recebemos de Deus. Sobre a pessoa que se abre à ação do Espírito Santo “pousará o espírito de Javé: espírito de sabedoria e inteligência, espírito de conselho e fortaleza, espírito de conhecimento e temor de Javé” (Is 11,1-3).



2.Serviço



Originalmente a palavra serviço significava atividade do servo em relação ao seu patrão, no sentido de domínio de um sobre o outro e de dependência de um sobre o outro. O serviço também pode se manifestar externamente no sentido de serviço a Deus, serviço ao demônio, serviço ao pecado, à injustiça. No sentido clássico o significado de serviço não entrava em questões religiosas, mas somente em questões profanas, ligadas às condições jurídicas e sociais do escravo que dependia em tudo do seu patrão.



No judaísmo o serviço era considerado em relação ao Culto de Deus com uma impostação religiosa e moral do povo de Israel. O que servia a Deus era chamado de “Servo de Deus” (hoje damos este nome àquelas pessoas que estão em processo de beatificação). Estes eram os que serviam e que zelavam do culto divino, sendo investidos de particular dignidade e missão: Abraão (Gn 26,23), Moisés (Num 12,8), Davi (1Re 11,36), os profetas (Am 3,7; Ger 35,11; 44,4), o próprio Israel (Is 41,8) e personagens pagãos (Ger 27,6; 43,10).



Na vida cristã o sentido de serviço é completamente o contrário,  comportando, da parte de cada cristão, uma consagração de todo o ser e de toda a atividade do batizado a Deus, não somente porque é o criador mas porque é o redentor e santificador, exigindo do cristão uma oferta de toda a sua vida como um serviço total a Deus. Desta forma, o sentido fundamental do serviço cristão nos é dado através daquela nova realidade em que somos inseridos através do Batismo, isto é, na realidade de reservados, de povo de Deus, de filhos adotivos de Deus: “Vocês, porém, são raça eleita, sacerdócio régio, nação santa, povo adquirido por Deus, para proclamar as obras maravilhosas daquele que chamou vocês das trevas para a sua luz maravilhosa. Vocês que antes não eram povo, agora são povo de Deus; vocês que não tinham alcançado misericórdia, mas agora alcançaram misericórdia” (1Pd 2,9-10).



Por causa desta realidade os Apóstolos chamam a si mesmos e aos cristãos de “Servos de Deus e de Jesus Cristo”: “Agora, Senhor, olha as ameaças que fazem e concede que os teus servos anunciem corajosamente a tua palavra” (At 4,29); “Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que receberam, pela justiça de nosso Deus e Salvador Jesus Cristo, uma fé preciosa como a nossa” (2Pd 1,1); “Não sirvam somente quando vigiados ou para que os homens os elogiem, mas sejam como servos de Cristo, que cumprem de todo o coração a vontade de Deus” (Ef 6,6); “Epafras, do grupo de vocês e servo de Jesus Cristo, manda saudações. Com suas orações, ele não cessa de lutar em favor de vocês, para que se mantenham perfeitos, observando plenamente a vontade de Deus” (Col. 4,12); “Um servo do Senhor não deve ser briguento, mas manso para com todos, competente no ensino, paciente nas ofensas sofridas (2Tim. 2,24)”.



Da mesma forma os Apóstolos definem a vida cristã como serviço a Deus e a Jesus Cristo: “Eles mesmos falam da acolhida que tivemos entre vocês, e de como vocês se converteram, deixando os ídolos e voltando-se para Deus, a fim de servir ao Deus vivo e verdadeiro” (1Tess 1,9); “Mas agora, morrendo para aquilo que nos aprisionava, fomos libertos da Lei, a fim de servirmos sob o regime novo do Espírito, e não mais sob o velho regime da letra” (Rm 7,6); “Quanto ao zelo, não sejam preguiçosos; sejam fervorosos de espírito, servindo ao Senhor” (Rm 12,11); “Quem serve a Cristo nessas coisas, agrada a Deus e é estimado pelos homens” (Rm 14,18).



O serviço comporta dois aspectos: geral e particular. No aspecto geral o serviço deriva dos nomes que são dados aos batizados e que estão sempre em relação a Deus: filhos adotivos de Deus (Rm 8,15-16; Ef. 2,1922); família de Deus e concidadãos do céu (Ef. 2,9); povo de Deus (Rom. 9,



25-26; Ef. 2,19-22); Israel de Deus (Gal. 6,16); construção e templo de Deus (1Cor. 3,9.16-17; 2Cor 6,16.18; Ef. 2,19.20); membros do corpo místico de Cristo (Ef. 1,22-23; Col. 1,18-24); santos, chamados (Rm. 8,8; 1Cor 1,24); eleitos e amados (1Pd 1,1; Col 3,12); fieis e amados (1Tm 4,2); homem novo, estirpe eleita, reino, sacerdócio, nação santa (1pd 2,9).



No aspecto particular podemos entender em vários sentidos:



1)                 Com Cristo: a união com Cristo dá sentido à oferta da nossa vida como serviço a Deus na fidelidade e no amor (união em Cristo, com Cristo e por Cristo – 2Cor 4,10);



2)                 Filial: somos filhos de Deus em consequência de sua adoção filial e operada pelo Espirito Santo mediante o Batismo. Desta forma o serviço é uma oferta e doação a Deus, uma resposta positiva ao amor de Deus; 3) interior: o serviço tem uma dimensão interior que exige de nós uma ação em espírito e verdade (Jo 4,23-24) e a eliminação de cada desejo egoístico de promoção, de farisaísmo e de formalismo, no sentido de estarmos livres de motivos secundários para servirmos a Deus em consciência pura (2Tm 1,3);



4)                 Integral e total: no sentido de que todo o ser humano, com todas as suas faculdades, se coloque a serviço  de Deus porque foi resgatado e consagrado no Batismo e não apenas partes do ser humano, pois Deus quer ser glorificado pelos seus filhos tanto em espírito quanto no corpo (1Cor 6,20); 



4)                 Fiel: isto é, devemos servir como servos bons e fiéis (Mt 25,24; 2Tm 2,15; Fl 1,27; 2 Cor 2,10.14)



Com tudo o que vimos concluímos que o serviço é trabalhar como filhos da luz para gerar no mundo os frutos da luz e que agradam a Deus: justiça, bondade e caridade (Ef 5,8-10).



3.Próximo



Para falarmos do próximo temos que falar do amar em Deus, pois somente sou capaz de reconhecer o meu próximo se o amo em Deus. Somos convidados a ver Deus no outro e quem não é capaz de ver Deus no outro permanece superficial e é destinado a morrer porque o seu amor não é fundamentado no verdadeiro amor. Quanto mais vemos a Deus no outro, mais a caridade o ama e somente, na medida em que vemos a Deus no outro podemos garantir a pureza do amor e evitar o egoísmo sobre nós mesmos. É somente amando a Deus no próximo que eu posso ter um amor total e incondicional que ultrapasse a mim mesmo e é somente amando em Deus o outro que este outro se torna digno de todo o meu amor e é somente por que o amo em Deus que me sinto empenhado a doar-me totalmente.



Recordamos que a caridade não é de origem humana, mas é uma extensão  do amor do Pai para com o Filho e do Filho para com os seres humanos. Esta vem de Deus aos seres humanos e passa de cada um ao seu próximo, no sentido de que não posso retê-la para mim. A caridade que recebemos de Deus se estende naturalmente ao nosso próximo, pois é o próprio Deus que nos convida a amar o próximo e em nós (com os nossos dons e serviço) Deus ama ao próximo. Isto significa que amando ao próximo somos instrumentos de Deus para que o seu amor chegue até o próximo, por este motivo devemos colocar os dons a serviço da comunidade.



Devemos ter presente que muitas vezes amamos ao próximo para nos aproximarmos de Deus, para recebermos as graças de Deus ou para não sermos condenados por Deus. Nossa preocupação não é a de amar, mas a de ganhar Deus. Se praticamos a caridade somente como uma preocupação pessoal de salvação, faremos o bem ao próximo somente como uma obrigação. Devemos inverter esta forma de pensar e amar o próximo para Deus, utilizar os nossos dons para manifestar ao próximo o quanto Deus o ama.



Devemos amar o próximo como Jesus nos ama: “Como o Pai me amou assim também eu vos amo” (Jo 15,9); “amai-vos como eu vos tenho amado” (Jo 13,34; 15,12). Jesus é para nós o exemplo concreto de como devemos viver este amor ao próximo. Transformados pelo Batismo somos chamados a viver o mesmo amor de Deus e viver o amor de Deus significa renunciar a si mesmo e doar-se totalmente ao outro, não para receber as graças de Deus, mas para levar Deus ao outro: “O meu mandamento é este: amem-se uns aos outros, assim como eu amei vocês. Não existe amor maior do que dar a vida pelos amigos. Vocês são meus amigos, se fizerem o que eu estou mandando. Eu já não chamo vocês de empregados, pois o empregado não sabe o que seu patrão faz; eu chamo vocês de amigos, porque eu comuniquei a vocês tudo o que ouvi de meu Pai. Não foram vocês que me escolheram, mas fui eu que escolhi vocês. Eu os destinei para ir e dar fruto, e para que o fruto de vocês permaneça. O Pai dará a vocês qualquer coisa que vocês pedirem em meu nome. O que eu mando é isto: amem-se uns aos outros”. (Jo 15,12-17); “Compreendemos o que é o amor, porque Jesus deu a sua vida por nós; portanto, nós também devemos dar a vida pelos irmãos” (1Jo 4,13;3,16).



O amor ao próximo consiste em não amarmos com palavras e com a língua, mas com as nossas obras e de verdade (cf. 1Jo 3,18), não basta o espirito, é necessário doar-se ao outro (Jo 13,17), unir amor cordial e sacrifício de si mesmo (cf. 1Jo 13,16) como o bom samaritano (L 10,2937), perdoando sempre (Mt 18,21-22) e aceitando renunciar aos próprios direitos (Mt 5,38-47). Para que possamos amar verdadeiramente ao próximo temos que fazer o que faz Deus: se Deus ama seus filhos, devemos amar seus filhos e Deus se doa, devemos nos doar totalmente aos nossos irmãos.



4.Conclusão



Os dons que recebemos de Deus, através da ação do Espirito Santo, no nosso Batismo, na Confirmação, na Ordem e todos os dias da nossa vida são muitos e diferentes para que todas as necessidades da comunidade sejam supridas. Somos chamados ao serviço do amor e da caridade como uma total consagração das nossas vidas a Deus, serviço este que é levar Deus ao próximo incondicionalmente, não para que possamos receber as bênçãos de Deus, mas para que possamos levar Deus ao próximo. Somente amando ao próximo em Deus o nosso serviço, o colocar-se a serviço da comunidade, será pleno. Concluo dizendo quem é o meu próximo na minha concepção e no meu entendimento: o meu próximo é aquele que não pode fazer por mim o que eu posso fazer por ele.