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Equipe Diocese São Luíz


Pe. Edson Luiz Dias Cardoso




Ordena??o Diaconal: 1989-07-09
Ordena??o Sacerdotal: 1990-01-27
E-Mail: saopedro@diocesedecaceres.com.br
Idade:2019anos
Endereço: Rua Joaquim Gerônimo da Silva,1719 Jardim Bela Vista Pontes e Lacerda-MT 78.250-000
Telefone: (65) 3266-5559
Paróquia: Paróquia São Pedro, Pontes e Lacerda - Pároco: Pe. José Maria Basílio





BIOGRAFIA




O Padre Edson Luiz Dias Cardoso, atualmente é Pároco da mais recente paróquia criada em 29 de junho de 2012, na cidade de Pontes e Lacerda – MT, a Paróquia São Pedro, a 23ª Paróquia da Diocese, depois de 19 anos de trabalhos à frente da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Mirassol D'Oeste. Esta Paróquia foi desmembrada da Paróquia Senhor Bom Jesus, e consta atualmente com 10 comunidades: 2 na cidade e 8 nas Comunidades Rurais.



Conta atualmente com algumas pastorais, movimentos e serviços organizados. Para que a missão aconteça nas bases, realizam-se as formações humanas e cristãs, visando um maior comprometimento de todos, assim como atitudes de solidariedade e justiça em todos os âmbitos.



A Paróquia trabalha com o Movimento do Cursilho, Apostolado da Oração, Ministros da Eucaristia e da Palavra, Pastoral da Juventude, Pastoral Litúrgica, Pastoral Familiar, Catequese, Pastoral do Dízimo e Coroinhas. Sempre visando a formação humana e cristã de todos. Porque acreditamos no ser humano completo, acompanhado e orientado em suas atitudes hodiernas, assim como na transparência de um testemunho alicerçado no conhecimento da Palavra de Deus, além dos compromissos sociais que advém de suas participações no mundo do trabalho, na família, nas escolas e universidades, e na sociedade como um todo.



A população que compõem estas comunidades é uma mistura de pessoas oriundas de muitas regiões do país, principalmente paulistas, mineiros, capixabas, sul-matogrossenses , descendentes de chiquitanos (devido à proximidade com a fronteira da Bolívia) e negros, vindos de VilaBela da Santíssima Trindade, antiga Capital do Mato Grosso. A nossa região tem essa mistura de brasileiros das mais diferentes regiões do país, porque o Governo Federal, na década de 1970, incentivou muito a expansão para o Oeste do Brasil. Então esta parte do Mato Grosso, o Estado de Rondônia e o Acre foram ocupados a partir desse grande desenvolvimento.



A antiga Comunidade São Pedro já tinha organizada uma série de  trabalhos que, com a chegada do Pe. Edson tiveram continuidade, implementando, quando necessário, algum detalhe. Esses trabalhos estão dando muitos frutos, possibilitando, assim, que o Reino de Deus se faça uma realidade abençoada todos os dias.



A cidade de Pontes e Lacerda dista da sede da diocese, a cidade de Cáceres, 221 Km, na BR 174, para quem segue para Porto Velho – RO. Hoje conta com estrada asfaltada e toda uma infraestrutura muito boa. A cidade tem uma população estimada em 49 mil habitantes; conta com vários estabelecimentos de ensino, como escolas estaduais e municipais, a UNEMAT, com os cursos de Zootecnia, Letras e Direito, além do IFMT (Instituto Federal de Mato Grosso), com o Curso Técnico Superior de Técnico em Edificação, Técnico em Eletrotécnica (Núcleo de Jauru), Técnico em Secretariado e Comércio Exterior, ainda os Cursos do Ensino Médio em Secretariado, Suporte e Manutenção em Informática e Controle Ambiental; três estações de TV: a Santa Catarina, retransmissora da Rede TV, o SBT, com o nome de TV Centro-Oeste, e a TV Record, cujo nome é Guaporeí; assim como três estações de Rádio, a Continental FM, a Cidade FM e a Jornal AM.



Como todas as cidades da nossa região, Pontes e Lacerda passa por grandes transformações. Precisa-se ainda de mais estrutura, mais desenvolvimento, mais condições de vida digna para todos. A população têm lutado, tentando melhorar o que já existe, e buscando novas propostas. A Igreja se faz presente, orientando, conscientizando sobre a importância dessa participação, e ajudando, com instrumentos, para que esses objetivos sejam alcançados. Procuramos propor elementos que certamente ajudarão nas buscas e nas conquistas desses projetos, sem se esquecer que todos, dentro de um senso de justiça e solidariedade, lutem por um bem para todas as pessoas, independentes de quem sejam ou façam. Deus está pronto a abençoar a todos, pois são eles todos filhos e filhas amados e criados por Ele.



A Ordenação Presbiteral


Na tarde calorenta do dia 27 de janeiro de 1990, às dezoito horas se deu a cerimônia. A Catedral São Luiz lotada para o grande evento. Muitos amigos de infância, colegas de grupos de jovens, familiares, amigos conquistados em Campo grande – MS, irmãos e irmãs das comunidades de Cáceres vieram para celebrar.


Afinal, era um filho da terra que estava sendo ordenado padre. A primeira vocação nascida, cultivada e que permaneceria ali, para prestar o seu trabalho, cumprir sua missão. Era uma emoção muito grande para todos.


Quando a comentarista diz boa noite e começa o comentário inicial, deu uma queda de energia. Todos ficam preocupados, afinal, estamos em Cáceres e, ventilador nesses casos, é quase questão desobrevivência. Muito depois da cerimônia, ficamos sabendo que o padre Antenor Petini, o pároco da Catedral, lutou com unhas e dentes para restabelecer a energia. O pessoal da CEMAT dizia que a luz só voltaria, se não me engano, lá pelas dez da noite. Graças aos esforços e o bom senso, ela demorou somente uns dez, quinze minutos.


Enquanto esse embate se dava, a cerimônia continuava.



O começo de tudo


Toda a preparação para esse evento começou no dia 12 de fevereiro de 1983, quando o jovem Edson Luiz embarcou, junto com outros candidatos ao sacerdócio, na rodoviária de Cáceres, rumo ao Paraná. Para seguir viagem na Transjaó, todos os jovens que foram na despedida tiveram que dispender um pouco de esforço. O ônibus não pegava.


Tiveram que empurrá-lo uns bons metros na Avenida 7 de setembro, até que a tão esperada viagem se deu. O destino, por enquanto, era Cuiabá. De lá pegariam um ônibus para Londrina ou Maringá. O destino então era a bela cidade de Maringá – PR. Depois de quase dois dias inteiros, chegaram na acolhedora cidade do Paraná. A busca agora era por um ônibus que os levasse a Apucarana, no norte do Estado. Tudo novidade, bonito, expectativa em todos os sentidos, curiosidade, um pouco de medo pelo que viria, afinal, estava indo sozinho, tomar conta da vida, enfrentar realidades que nunca tinha ouvido falar... mas, é necessário se lançar.


Chegando lá, descobrem que muitos outros jovens rapazes estão nas mesmas condições. Ansiosos, na expectativa, curiosos, sedentos de conhecer, saber mais. Todos, então, embarcam na grande viagem do conhecimento que se daria a partir dali. Em Apucarana – PR, foram três anos no Curso de Filosofia, de 1983 a 1985, no IFA (Instituto Filosófico de Apucarana). Tempo de descoberta do conhecimento. Tempo de aprender coisas novas, de abrir os horizontes. Para o jovem Edson nem se fala. Acaba de descobrir que ali estava a sua vida, apesar de que muita coisa precisava ser olhada com carinho, com paciência, mas com muita boa vontade.



Ali fez grandes amigos, como o Antonio Pienna Rodriguez, o Jorge Roberto Costa Passos, Tertuliano Maciel; acaba conhecendo melhor os demais colegas da Diocese, que haviam passado pelo Seminário de Jauru, o José Maria Basílio, Hilário Mendes Ribeiro, Antonio Cardoso, Divino, José da Silva Filho, Benedito Corrêa de Lima, Maurício Savassa, entre outros, assim como o Jair Fante, que estava vindo de um seminário em Cuiabá, cuja família mora desde então em Pontes e Lacerda, na Diocese de Cáceres.


Fazia parte da formação dos futuros padres, os trabalhos pastorais, oportunidade em que se tinha para começar a aprender a lidar com o dia a dia de um padre. O seminarista Edson Luiz trabalhou na Vila Araponguinha, em Arapongas e em Aricanduva – PR. Estas oportunidades floresceram em confiança, desejo maior ainda para o serviço ao povo de Deus. Foram experiências magníficas, de aprendizado, encontro de respostas muitas vezes elaboradas no fundo do coração.


Depois de ter caminhado pelos meandros da filosofia de Aristóteles, Platão, Kierkegaard, Sartre, Simone de Beauvoir, entre tantos outros pensadores, inclusive alguns brasileiros (sim, senhores, o Brasil também tem filósofos!), estudado Metafísica, Antropologia Filosófica e outras coisas estranhas, mas necessárias, ter ouvido ensinamentos do Pe. Luiz Soares Vieira, e sua gentil filosofia, o Pe. Tabone Adame, com seu infernal latim, aprendido na saudosa Ilha de Malta, rezado muito Breviário, lavado muito banheiro, conhecido lugares lindos no interior do Paraná, chegaram ao final dos três anos do curso. Agora era hora de arrumar as malas, e seguir para a bela e Morena Campo Grande – MS, onde dariam continuidade na formação, agora no Curso de Teologia, durante quatro anos, ou oito semestres, de 1986 a 1989.


Ali já não havia tanta expectativa como antes. Já se conhecia um pouco o ritmo dos seminários. A curiosidade mesmo era em relação aos novos colegas, professores, o jeito como viveriam no Seminário Maior Maria Mãe da Igreja e os estudos no ITEO (Instituto Teológico do Extremo-Oeste). Afinal das contas, quanto mais o tempo passava, mais se aproximava o grande dia de decidir a vida inteira.



O dia a dia do seminário era simples e básico: levantar às cinco e meia da manhã para rezar o Breviário ou celebrar a missa, depois tomar o café da manhã e correr para o ponto de ônibus, que ficava bem em frente ao próprio seminário. O único inconveniente, é que ele já descia lotado dos outros bairros, ainda tinha mais algumas dezenas de seminaristas que precisavam chegar logo à faculdade. Você imagine a cena: se já estava apertado, havia momento que não se podia levantar o pé, corria-se o risco de viajar pendurado. Quantas vezes, os seminaristas viajavam pendurados nas portas, com chuva, com frio, para não perder a hora das aulas. Era uma verdadeira façanha. Mas a maioria curtia aquilo tudo. Fazia parte da vida acadêmica. Hoje devem sentir saudades daquelas aventuras.



Também em Campo Grande, os trabalhos pastorais nos finais de semana, era um dos critérios para a boa formação dos futuros padres, de todas as dioceses ali presentes. Edson trabalhou nas Comunidades do Tarumã, no Buriti/Bom Jardim, ambas da Paróquia Cristo Luz dos Povos, que na época tinha como pároco o Pe. Fabiano Vilela.



Agora, já se sente mais firmeza no que se quer da vida. Começam a aparecer os primeiros ministérios, como o de Leitor, de Acólito, recebidos em 1988. O envolvimento com a vida da igreja é bastante visível. Já dá para sentir na própria pele o que é viver uma vida sacerdotal ou religiosa. Os compromissos são mais sérios, já se fala como se já fossem padres. São raros os momentos de dúvida. Se  antevê um futuro bastante promissor, com missão bem delineada. Mesmo que tivessem que estudar tresloucadamente Pneumatologia, os Evangelhos Sinóticos, as Epístolas Paulinas, Joaninas e Petrinas, dava-se tempo para imaginar como seria o trabalho pastoral, a convivência numa comunidade paroquial, as  celebrações com crianças, jovens e adultos. Era uma beleza pensar no que fariam com a própria vida, lembrando que a missão estava sendo assumida com Deus.


No curso de teologia, além de estudar a Bíblia, sua teologia, história, geografia, estudava-se administração paroquial, Código de Direito Canônico, história da Igreja no Brasil entre outros, pensando numa formação ampla, aonde o futuro padre pudesse se amparar, e ter condições de ajudar a Paróquia a se desenvolver, e cumprir bem sua missão. Por isso a Igreja tenta, de todas as maneiras, participar de todos os âmbitos da vida da comunidade, ajudando as pessoas em todas as suas necessidades.


No dia 6 de abril de 1989, Edson Luiz faz o pedido a D. Máximo Biennès, então Bispo Diocesano, da Ordem do Diaconato, celebração esta ocorrida em Cáceres no dia 9 de julho do mesmo ano, às dezoito horas na Catedral São Luiz, juntamente com Isidoro Salomão. Usaram como tema de suas vidas o texto do Evangelho de São Lucas 4,18-19: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar a remissão aos presos e aos cegos a recuperação da vista, para restituir a liberdade aos oprimidos e para proclamar um ano de graça do Senhor".



Ainda no mesmo ano de 1989, mais exatamente no dia 18 de abril, o agora Diácono Edson Luiz, recebe do Bispo D. Máximo a resposta afirmativa da sua solicitação para a Admissão às ordens sagradas, agora como Presbítero.



A cerimônia acontece na Catedral São Luiz, às dezoito horas do dia 27 de janeiro de 1990, depois do início um pouco tenso, tudo correu maravilhosamente bem, animada pelas equipes de liturgia que, inclusive o Edson já havia feito parte, cantada pela equipe da Ir. Paulina Maria, querida amiga do ordenando.



Assim, o já Padre Edson Luiz Dias Cardoso, se dirigiu à comunidade, reunida na Catedral, ao final da cerimônia: “Queridos irmãos, hoje se concretiza um sonho acalentado há  muitos anos. Sonho que se torna realidade: viver a vida falando do Pai e das Suas maravilhas.



Abraço o sacerdócio com o único e exclusivo objetivo, que é o de servir ao povo de Deus nesta Diocese que me viu nascer e, onde brotou e se desenvolveu em mim essa vocação. Quero ser no meio de todos como “aquele que serve”, como nos deixou vivo exemplo Jesus Cristo, o homem concreto de Nazaré. Quero, também, servir com humildade e muita alegria o povo que me for confiado, levando-se em consideração sua dignidade de filho de Deus e a realidade brasileira e latino-americana. Não posso, não devo e não quero ser apóstolo de uma realidade que não seja a nossa; com todas as dificuldades e alegrias que elas nos impõem.


Agradeço primeiramente a Deus por me dotar de tal vocação. Também agradeço a todas as pessoas que me incentivaram com suas orações, palavras de encorajamento e esperança; aos meus familiares, pelo respeito à minha decisão. E por fim, agradeço os que me ajudaram, aqui na Diocese, no Paraná e em Campo grande, onde me preparei nos cursos filosóficos e teológicos; e um último e especial agradecimento à uma pessoa que não poupou palavras incentivadoras, que me ouvia com ternura, respeitando a minha liberdade, meu ponto de vista e, que reconhecidamente, fez grandes sacrifícios para nos manter no seminário, e que, sobretudo, acreditou em mim, não obstante as minhas limitações. À D. Máximo, o meu carinho e profundo respeito. Obrigado a todos, e que Deus nos ajude.


A vida do sacerdote e o lema da ordenação



Vou começar a contar para vocês, uma história da vida de uma pessoa comum. Comum como milhares pelo Brasil, pelo mundo inteiro. Mas uma história de um brasileiro, nascido nos cafundós do Mato Grosso e, que, como todos os brasileiros,  não desiste muito fácil.



No dia 24 de maio de 1961, na cidade de Cáceres – MT, nascia o oitavo filho de Anna Maria Dias, e o segundo com o seu esposo na época, Lionel Cardoso. Nasceu de parto normal, como todos os onze filhos de Anna Maria, mulher experimentada nos trabalhos que realizava para cuidar de todos. Lavadeira, passadeira, cozinheira, costureira, bordadeira... Enfim, uma infinidade de trabalhos, assim como sempre fizeram e fazem milhares de mulheres pelo mundo afora.



Nasceu o menino no restaurante do Sr. Antonio Senatore, italiano, que na época tinha o seu estabelecimento onde hoje é o Banco Bradesco, no centro da cidade. Lionel e Anna Maria eram funcionários do restaurante: garçon e cozinheira. Moravam nos fundos do restaurante.



O menino crescia, brincando na rua Coronel José Dulce, na Comandante Balduíno, na Praça Barão do Rio Branco, onde assistia às retretas com a Banda de Música do 2º Batalhão de Fronteira com os amigos, nos finais de tarde; subindo nos pés de goiaba, manga e caju, tomava banho no Rio Paraguai, jogava bola, brincava de pular corda, de roda, de bola queimada. Participava de festas em homenagem a São João, Santo Antonio, São Gonçalo; procissão de Nossa Senhora de Fátima, São



Luiz, Corpus Christi, do Cristo Morto, na Sexta-feira Santa. Conheceu Ijó, Aninha Bananinha, pessoas caricatas e andarilhas na cidade, que todos conheciam e debochavam. O menino lutou pela vida desde muito pequeno. Foi engraxate, vendedor de jornal, picolé, bolo, pirulito, cobre, alumínio, até esterco para o Seu Nhozinho colocar nas suas hortas, cujas verduras bonitas e saudáveis, ele comprava e comia avidamente. Trabalhou com seu pai Lionel (mais conhecido como Lio ou Baixinho), furando parede para instalar padrões de energia, cavando buracos para colocar manilhas e fazer canalização de esgotos, preparando cimento, carregando tijolo, areia nas carriolas, além de ajudar dona Anna Maria, que em Cáceres todos  conheciam por Theba, a lavar roupa, vasilha, varrer a casa, quintal, carpir, além de estudar, e nunca ser reprovado.



Todas as vezes que chegavam navios no cais da Praça Barão do Rio Branco, era uma festa só, principalmente quando atracavam os navios da Marinha, vindos de Corumbá e Ladário – MS. Todos eram convidados a conhecê-los por dentro. Aquilo era uma alegria que não tinha tamanho; mundo diferente, atiçava a imaginação de todas as crianças, principalmente do Edson, que um dia chegou a cogitar a possibilidade de servir à marinha.




Estudou na Escola D. Galibert, da 1ª série A, B e C até a 3ª série, depois, continuou na Escola Estadual “União e Força”, que funcionava na Praça perto à Comunidade São Francisco, em Cáceres, depois foi fazer o ginásio no Colégio Estadual “Onze de Março”, e por fim o 2º Grau realizado na Escola Estadual “Raimundo Cândido dos Reis”, aonde fez o curso de contabilidade. Nesse período todo, além da fazer tudo aquilo que já foi mencionado antes, trabalhou numa gráfica de carimbos, no Jornal de Cáceres, no qual escrevia matérias, editava, diagramava e vendia o jornal. O seu último trabalho foi como Agente Administrativo na Escola Estadual “União e Força”, depois seguiu para Apucarana – PR, para o Curso de Filosofia.



Mas sua mãe contava que Edson sempre falava que queria ser padre. Sua mãe não sabia bem por que, mas imaginava, e rezava pedindo que Deus encaminhasse bem os seus filhos, não importando qual seria o caminho que cada um seguiria, desde que fosse o caminho do bem, como sempre ela ensinara a todos os seus filhos. Dizia que, por mais difícil que fosse a vida, nada justificaria entrar pelos caminhos do erro. Aliás, ela já o havia entregado certa vez nas mãos de Deus, não seria novidade alguma fazê-lo de novo.



Quando ainda com dois meses de vida, o menino Edson teve uma infecção urinária muito forte. Os poucos médicos daquele tempo já não sabiam mais o que fazer. Certa vez, já nos seus últimos recursos, o médico chamou a mãe e disse: “olha, não temos muito mais o que fazer. Esse menino já foi batizado?”. A mãe disse que não. O médico lhe responde que é preciso batizá-lo, pois ele corre o risco de 'morrer pagão'. Só um milagre salvaria a criança, se em vinte e quatro horas ele não conseguir urinar, a morte é certa, a infecção terá tomado todo o seu organismo. 



A mãe procura o Sr. Geraldo e a Srª Dirce Carvalho, dizendo que 'estava entregando a vida do filho nas mãos de Deus', e estes levam o menino às pressas, em pleno meio-dia, à Capela do Perpétuo Socorro, onde viviam os freis. Nessa hora, o Pe. Paulo Maria Cabrol batizou o menino; enquanto isso acontecia, a bexiga se soltou, e o menino urinou um líquido fortemente amarelado, como caldo de fumo, segundo a mãe.



Todos foram acometidos de uma grande emoção, começaram a chorar, pois não tinham dúvidas: foi Deus que salvou o menino.



Edson sempre achou muito bonito o jeito dos padres, a sua fisionomia de homem bom, que estava sempre com Deus na vida e no coração, e como eles eram queridos pelas pessoas da comunidade. Ele, porém, sempre guardou no coração e na mente, a imagem do Padre Paulo Maria Cabrol, e outros freis, que passavam pelas ruas com suas túnicas franciscanas, brincavam com as crianças que encontrava, batia nelas com o seu cordão com os três nós dos compromissos assumidos com São Francisco. Eram gentis e muito felizes.



“Pois o Filho do Homem não veio para ser servido. Ele veio para servir e dar sua vida como resgate em favor de muitos”. (Mt 20,28)



Este texto do Evangelho de São Mateus foi escolhido, porque apresenta a síntese da vida de Jesus, que o jovem Edson sempre teve muito claro na sua mente. Inclusive, a sua vida particular tem muitas passagens em que o próprio se coloca sempre a serviço das outras pessoas. Ele teve sua vida muito elevada por estas atitudes. Ajudar, viver o compromisso da solidariedade, até por que era a sua própria realidade. Conheceu de perto todas as vicissitudes da vida,  sabia como era importante a compreensão de toda aquela realidade, mais ainda, acreditava e acredita nos gestos que mudam a vida das pessoas.



Jesus se coloca como irmão de todos. Vê e sente suas necessidades. Sofre com as dificuldades que o povo de Deus vive. Solidariza, não só com palavras. E convida toda a comunidade a “dar de comer” a todos (Mc 6,37; Lc 9,13). O Filho de Deus não consegue viver sabendo que as pessoas passam necessidade e ficam como ovelhas que não têm pastor; sozinhas no mundo, sem ninguém para ter compaixão (Mc 8,2).



Todos os profetas quando foram chamados, Deus disse que deveriam colocar-se a serviço dos menos favorecidos, daqueles que não têm nem voz e nem vez, numa sociedade egoísta como ainda temos hoje. Deus ouve os clamores do povo, rogando por proteção, cuidados, compaixão e respostas para suas necessidades (Ex 3,7). Mas Ele não quer fazer isso tudo sozinho. Prefere contar com a generosidade do ser humano, na sua entrega pelo serviço do Reino (Ex 3,12). Graças a Deus, isso sempre foi possível, pela boa vontade de Abraão (Gn 12) , Moisés (Ex 3), Isaías (Is 6), Jeremias (Jr 1), entre tantos outros exemplos apresentados no Primeiro (ou Antigo) Testamento, gestos esses que fundamentaram toda a nossa fé nos dias atuais, assim como veio fortalecendo tantos antes de nós, a continuar sua missão.



Jesus veio renovar esses compromissos, veio para torná-los atuais. Ele próprio fez o Plano de Deus se tornar realidade na vida das pessoas, e em suas comunidades. Deu um sentido novo no 'ser Igreja' de cada um. Propôs concretamente como se faz a vontade de Deus. Encorajou cada homem, cada mulher, criança, jovem, idoso, como partilhar a sua fé, com gestos bem concretos de vida e de esperança, baseado na justiça de Deus. Quando o cego se aproxima de Jesus, o Mestre lhe pergunta: “O que você quer que eu faça por você?”, quando o homem responde: “Mestre, eu quero ver de novo”(Mc 10, 51). Jesus não pensa duas vezes. Ele sabia que precisava salvar aquele homem, das injustiças do seu tempo (o cego era uma pessoa rejeitada), e dar-lhe a vida 'em plenitude'; dar condições de vida digna àquele ser humano, que é criatura de Deus. Esse homem não pode viver desse jeito, à margem de tudo e de todos, principalmente do seio da comunidade, que é um lugar especial de vivência fraterna. A solidariedade, a compaixão é um dom de Deus. Jesus diz isso muitas vezes, quando vê a multidão que o acompanha. Ele vê sede de Deus nos olhos das pessoas; Ele sente que todos querem conhecer Deus e seu Projeto; Ele está ali para mostrar isso. Mas não só com palavras bonitas, emocionantes, e sim com palavras que transformem as realidades de todos os homens. Para compreendermos isso, precisamos ouvir o convite de Maria: “Façam o que ele mandar.”(Jo 2,5); estarmos atentos aos sinais de Deus em nossas vidas; acolher o convite que o próprio Jesus nos faz: “A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos.” (Lc 10,2).



Jesus Cristo sempre nos interpela. Chama a nossa atenção para atitudes que realmente criará uma situação de vida nova, de vida ressuscitada, para todos os filhos e filhas de Deus. Ele procurou viver o projeto do Pai na íntegra, sem mudar uma vírgula (“Pai, se queres, afasta de mim este cálice. Contudo, não se faça a minha vontade, mas a tua!” -Lc 22,42), e é essa mesma atitude que Jesus quer de nós. Fazer a vontade de Deus, e não a nossa. Permitir que a generosidade de Deus se faça realidade de vida de todos, contando com a nossa disposição em cumprir bem a nossa missão de evangelizadores.



A autoridade vivida por Jesus não é essa que a sociedade nos apresenta, somos convocados para o serviço generoso, humildade, solidário, comprometido com a vida do Povo de Deus. Não devemos confundir a missão com qualquer outro trabalho que realizamos no nosso dia a dia. É uma missão no verdadeiro sentido da palavra: comprometimento, senso de justiça, coerência, responsabilidade e amor. “Afinal, quem é o maior: aquele que está sentado à mesa, ou aquele que está servindo? Não é aquele que está sentado à mesa? Eu, porém, estou no meio de vocês como quem está servindo.” (Lc 22, 27). E ainda nos diz: “Acreditem em Deus e acreditem também em mim” (Jo 14,1), lembrandonos que o serviço prestado por ele à humanidade, criatura de Deus, é a mesma missão dos seus discípulos missionários, de ontem e de hoje. Somos, portanto, convocados, essa é a responsabilidade de todo batizado. É um compromisso de vida, assumido por todos nós, para que todos nós participemos do banquete do Reino, lugar de vida e esperança.



Só conseguiremos fazer a vontade de Deus, se observarmos, mais ainda, se fizermos a “sua” vontade e não a nossa (Lc 8,21), praticando os seus ensinamentos, agindo de maneira que a Sua presença seja sentida por todos.



Portanto, a frase usada como lema da Ordenação Sacerdotal do Pe. Edson Luiz, é um projeto de vida. Que exige uma disponibilidade muito grande, e um amor muito profundo. Ao povo de Deus, e ao compromisso assumido naquele dia 27 de janeiro de 1990, na Paróquia São Luiz, a Catedral de Cáceres. E que Deus continue iluminando a sua missão nesses 23 anos já vividos, e nos próximos que, com a graça de Deus, ainda virão.