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Equipe Diocese São Luíz


Pe. Anselmo Mandrile




Ordena??o Diaconal: 1963-12-08
Ordena??o Sacerdotal: 1964-06-28
E-Mail: saopaulomirassol@diocesedecaceres.com.br
Idade:79anos
Endereço: Rua Amadeu Tamandaré, 1379 - Jd. São Paulo - Mirassol D'Oeste/MT - 78.2080-000
Telefone: (65) 3241-1144
Paróquia: Paróquia São Paulo – Mirassol D’Oeste





BIOGRAFIA



No santinho de recordação da ordenação Sacerdotal coloquei também esta oração: "Imaculado Coração de Maria, te entrego o meu sacerdócio: torna-o fecundo de bem e de salvação para mim, para minha família, pelas pessoas que me ajudaram e guiaram no caminho que conduz ao sacerdócio e pelas pessoas no meio das quais irei trabalhar."



 Durante o meu tempo do Seminário meditei muitas vezes, e continuo fazendo-o agora, a oração de Jesus depois da última Ceia no capítulo 17 de São João. Jesus vai para o Pai, mas seus apóstolos continuam vivendo no mundo para ser a sua presença salvadora. Por isso Jesus reza por eles para que, ficando no mundo, sejam preservados do Mal no cumprimento da missão.



 Escolhi este versículo do Evangelho, pedindo ao Senhor a graça de ser um bom Padre. Também confiei o meu Sacerdócio ao Coração Imaculado de Maria. Antes de morrer Jesus disse ao discípulo João: "Eis aí o teu filho" e depois ao discípulo: "Eis aí a tua Mãe". A partir dessa hora o discípulo a recebeu em sua casa. (Jo, 25-27). Tendo um pouco consciência do grande dom do Sacerdócio quis confiá-lo à Mãe de Jesus e minha Mãe para que Ela guardasse e protegesse o meu Sacerdócio e o tornasse fecundo de bem e de salvação.



 No Seminário nos lembravam com frequência que o padre deve também salvar sua alma. Tudo podemos perder na vida, mas não a própria alma. Jesus nos lembra no Evangelho: "Que adianta o homem ganhar o mundo inteiro e perder a própria alma?".



Um bom padre leva consigo  muitas almas para o céu, um mau padre leva com ele muitas almas para o inferno. Por isso, pedi que o meu Sacerdócio se tornasse em primeiro lugar, fonte de bem e de salvação para mim.



 A oração do Terço, a celebração da Santa Missa no primeiro sábado de cada mês, a consagração diária de minha jornada a Nossa Senhora e, também, quando possível, a visita aos Santuários dedicados à Mãe de Deus, são para mim a maneira concreta de acolher Maria como minha Mãe na minha vida quotidiana. Peço para Ela que possa ser um filho que lhe dê alegria e não desgostos. Em seguida pedi que o meu Sacerdócio fosse fonte de bem e salvação para a minha família.



 Eu nasci numa família de pequenos lavradores da terra. Era o início da segunda guerra mundial e vivi os primeiros anos da minha infância neste tempo. As dificuldades eram grandes para todos. Antes de mim, nasceram duas irmãs (que faleceram pequeninas) e três irmãos. Dois casaram e outro faleceu na idade de vinte e dois anos num acidente de moto. Naquela época eu tinha vinte anos, tínhamos crescido juntos. Por quase um ano eu sentia uma dor física no coração.



 Ainda hoje lembro as lágrimas e o choro do meu pai naquela circunstância e a fé de minha mãe. Tive a alegria de celebrar as Bodas de Ouro dos meus pais, mesmo com quase dois anos de atraso.



 Nos primeiros anos que estive no Brasil, só cada cinco anos era permitido visitar os familiares, meus pais e familiares quiseram esperar para que eu também pudesse estar presente. Até o Bispo de minha diocese de origem quis estar presente naquela ocasião. Tenho a fotografia dos meus pais registrada naquele dia sempre diante de mim.



 Eu quase sempre vivi longe da minha família. Entrei no seminário com onze anos de idade. Duas vezes por semana era permitido visita de familiares. Meus pais vinham na feira de bicicleta para vender produtos da horta para assim pagarem a mensalidade todo mês. Os pais de cada seminarista deviam pagar a mensalidade para poder continuar no seminário.



 Quando me tornei padre, trabalhei como vigário paroquial por cinco anos em paróquias da diocese. Cada semana, na segunda-feira, sempre fazia uma visita aos pais, familiares e vizinhos.



 Quando vim para o Brasil, nos primeiros treze anos,  só voltei duas vezes para visitar meus pais. Às vezes sentia saudades, mas nunca me queixei com ninguém, nem me arrependi da vocação missionária, nós éramos um grupo de onze Padres da Diocese de Cuneo que trabalhávamos na diocese de Toledo que, naquela época, abrangia uma parte da atual Diocese de Guarapuava, e as atuais três dioceses de Toledo, Cascavel e Foz do Iguaçu.



 No decorrer dos anos sessenta do século passado, naquela região, chegavam "ondas de migrantes" numa média de 100 mil por ano,  ocupando as terras do Oeste do Paraná. Todo este povo, na sua quase totalidade católica, queriam padres.



 O Bispo da nova diocese de Toledo participando do Concílio Vaticano II esteva sentado ao lado do Bispo da nossa Diocese de Cuneo e pediu a colaboração de padres. O Bispo de Toledo nos confiou à criação do seminário Diocesano e a formação de algumas paróquias.



 O prazo de voltar para Itália era para todos de cinco em cinco anos. Quando um padre voltava para Itália levava cartas de todos os outros e visitava todos os familiares de todos os padres que trabalhavam aqui no Brasil. Assim também as nossas onze famílias se tornavam amigas e solidárias.



 Fiquei treze anos na Diocese de Toledo trabalhando uns anos no seminário diocesano de Toledo, que era localizado na cidade de Cascavel e, depois, na paróquia de Formosa do Oeste.



 Agora já há trinta e um anos estou aqui em Mirassol D' Oeste: dois anos na Paróquia Nossa Senhora Aparecida e, depois, aqui na Paróquia São Paulo. Todos  os dias peço a Deus que abençoe o povo a mim confiado.



 Quando numa família nasce mais um filho, os pais guardam o amor para os filhos que já tem e se abrem para acolher com amor o novo filho que vem. Assim é o padre: quando muda de lugar não abandona o povo onde trabalhou anteriormente. Não terá mais responsabilidade direta no trabalho pastoral, mas levará no seu coração e na sua oração aquele povo e abrirá o seu coração para acolher novos irmãos.



 Eu quase sempre vivi longe de minha família, mas a levei no meu coração e na minha oração, lembrando sempre os ensinamentos e exemplos recebidos no berço das  origens. Também no santinho de minha ordenação sacerdotal, quis lembrar a minha paróquia de origem que me ajudou na minha caminhada ao Sacerdócio.



 Desde os sete anos eu era “coroinha”. A missa acontecia cedo, às seis horas da manhã. Eu ia todos os dias à missa para prestar o meu serviço de coroinha. Aos domingos participava das duas missas que eram celebradas na Paróquia e da Celebração das Vésperas. Foi o meu pároco que veio na casa dos meus pais fazer-me o convite para entrar no seminário. Também a comunidade paroquial sempre me acompanhou com carinho, com oração e gestos concretos de solidariedade.



 Quando volto para Itália sempre procuro participar dos vários momentos de vida paroquial e sempre vou rezar no túmulo do padre que esteve no início da minha vocação.



No santinho de minha ordenação, lembrando as pessoas que me ajudaram no caminho do Sacerdócio, ocupa um lugar todo especial o Seminário. Vivi treze anos no seminário: tempo de estudo, disciplina rigorosa, oração. Todos os dias a Santa Missa, a reza do Terço, e visita ao Santíssimo Sacramento, meia hora de meditação, a confissão semanal, orientações periódicas dos vários padres formadores.



 Duas vezes por ano havia retiro espiritual: um de duração de uma semana e outro de três dias, sempre em absoluto silêncio para acolher a Palavra de Deus e rezar melhor.



Aprendi o amor aos estudos e à leitura. No seminário os formadores nos fizeram conhecer algumas figuras de Padres Santos que se tornaram familiares na minha vida: o Santo Cura de Ars, São Bento Cottolengo, São João Bosco, São Francisco Xavier, o Padre Carlos de Foucauld, agora



Beato, o Padre Antônio Chevrier, amigo e servidor dos pobres, agora Santo, os escritos do monge Columba Marmion, beatificado pelo Papa João Paulo II.



 Os seminaristas do seminário maior tinham a sua conferência de São Vicente de Paula. O caixa era alimentado com as pobres doações de nós seminaristas também pobres. De dois em dois íamos visitar pessoas pobres nas suas casas e levar uma pequena ajuda tirada do caixa comum.  Também gostava  muito de jogar bola, fazer excursões nas montanhas durante o verão e andar de bicicleta.



 Quando volto para Itália, sempre vou visitar o seminário e rezar na Capela assim como encontrar os padres que ainda estão vivos. Continuo me comunicando com eles através de cartas.



 Lembro ainda das minhas primeiras semanas no Brasil, visitando as Comunidades Cristãs na beira do Rio Paraná, juntamente com Padre Francisco Bernardi, que foi meu caríssimo colega aqui na Diocese de Cáceres, e, antes na Diocese de Toledo e que foi meu primeiro assistente no seminário. Que Deus continue abençoando cada pessoa que compõe o Povo de Deus a nós confiado nesta Diocese de São Luiz de Cáceres.