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Equipe Diocese São Luíz


Pe. Antônio Rogério Golçalves




Ordena??o Diaconal: 1999-07-15
Ordena??o Sacerdotal: 2000-01-22
E-Mail: catedral@diocesedecaceres.com.br
Idade:48anos
Endereço: Praça Barão do Rio Branco S/N - Cáceres/MT - 78.200-000
Telefone: (65) 3223-4443
Paróquia: Paróquia São Luiz de Cáceres





BIOGRAFIA



Minha memória é povoada de lembranças dos tempos idos da segunda metade da década de setenta,  quando eu, ainda criança, ficava fascinado com a pessoa de Padre Tiago Gheza, missionário comboniano vindo da Itália e que foi feito pároco de Mirassol D´Oeste. Acredito que esse fascínio se deu por conta do jeito especial de tratar as crianças e pelas belas histórias que contava antes das missas, histórias estas que na maioria eram inventadas... Só mais tarde fui percebendo. Aquela maneira simples e ao mesmo tempo contumaz de evangelizar me fez querer ser igual a ele. Talvez, sem saber, aquele saudoso sacerdote despertava em meu coração o desejo de servir a Cristo e a Igreja, desejo este que eu resumia quando me perguntavam o que queria ser quando crescesse: quero ser padre!



 Nesta época morávamos em Horizonte D´Oeste, então chamada de Vila Nova, hoje distrito de Cáceres. A Escola Municipal União ofertava ensino até o quarto ano do ensino básico. Talvez por isso Padre Tiago me dizia que para ser padre precisaria estudar muito. Não hesitei em rumar para Mirassol, a fim de continuar os estudos da quinta série em diante,  hospedado em casa de parentes. Foram tempos difíceis. Apenas com 11 anos de idade sofria com saudades de casa. Às vezes à tardinha chorava escondido, com vontade de voltar pra casa, mas o desejo de ser padre me fazia ganhar força e eu mal sabia que ela vinha de Deus. Mais tarde meus pais Sr. Antonio Augusto e Maria Marzochi, juntamente com meus irmãos solteiros resolveram também se mudar para lá, facilitando assim nossa vida estudantil.



 Recordo-me como se fosse hoje, quando ouvi ao alto-falante noticiar a morte do querido Padre Tiago. Senti como que o chão sair de debaixo dos meus pés. Pensava que aquele sonho de ser padre tinha se acabado. Na minha inocência pensava: quem vai me levar ao seminário?  Mas na providência divina, que nunca falha, Deus me colocou no caminho de outro padre que se mostrou tão interessado em minha vocação quanto o padre Tiago: o Padre Anselmo Mandrile.



 Com a morte do Padre Tiago,  passei a ser acompanhado por Padre Anselmo, a quem devo muito, até que decidi de uma vez entrar para o Seminário Menor Diocesano de Jauru, em fevereiro de 1989. Lá fui eu, levado pelo Padre Anselmo até Jauru em seu fusca. Vem-me à lembrança aquele dia feliz, que deixei Mirassol, e na despedida minha família chorando, num misto de alegria e saudade, mas ali eu estava convicto de que era um caminho sem volta.



 O Seminário recebia os candidatos ao sacerdócio da Diocese de Cáceres, e tinha como reitor o Padre Nazareno Lanciotti, que com esmero e bravura ia formando-nos para o ministério ordenado. Com carinho fui acolhido por Dom Máximo Biennès, que me encorajou a seguir em frente, sempre nos falando da vasta missão que nos aguardava na Diocese.



 Em Jauru fiz o ensino médio. Lá aprendi muito, sobretudo amar a Igreja na fidelidade aos seus ensinamentos e a amar a Virgem Maria. Aprendi o valor da oração mariana, bem como a espiritualidade eucarística. Terminados três anos de formação, com a licença de D. Paulo De Conto fui para Taubaté – SP, fazer uma experiência vocacional no Instituto Missionário São José, onde permaneci durante o ano de 1992.  Depois de fazer um discernimento com a ajuda de Dom Paulo,  ingressei novamente na Filosofia, no IFA – Instituto Filosófico de Apucarana, no Paraná, e lá morei por três anos, concluindo assim os estudos filosóficos. Neste tempo fui muito bem conduzido pelo Padre Albertinho, que foi meu reitor e dirigido espiritualmente pelo Padre João Braz de Avis, hoje cardeal da Santa Igreja Católica. Conservo belas recordações daquele tempo, entre elas os amigos que fiz na vizinha cidade de Califórnia e no Bairro Afonso Camargo, em Apucarana.



 No ano seguinte, 1996, iniciei o Bacharelado em Teologia no ITEO – Instituto Teológico do Oeste, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, passando a residir no Seminário Maior Maria Mãe da Igreja, concluindo os estudos em 1999. Nestes quatro anos que passei na capital sul-matogrossense fiz belíssimas experiências de pastoral, sobretudo na Comunidade Bem-Aventurados, no Bairro Campo Novo, onde conheci pessoas boníssimas, entre elas os padres da Diocese de Asti – Itália, Luigi e Vicenzo.



            Quando ainda era estudante de Teologia, mais precisamente em julho de 1999, fui ordenado diácono pelo então bispo Dom José Vieira de Lima – TOR.  Vivi o diaconato ainda como seminarista, sobretudo auxiliando na vida litúrgica no seminário e na pastoral nos finais de semana, na Igreja Matriz da Paróquia Sagrado Coração de Jesus em Campo Grande, acompanhado pelo Padre Washington. Durante o estudo da teologia tive a alegria de ter como reitores Dom Gil Moreira e Padre Wilson Cardoso de Sá, homens valorosos que me ensinaram muito, sobretudo a amar a liturgia da Igreja. Acompanharam-me também os saudosos Padres Félix Pilon e Miguel Angel Ortiz como diretores espirituais, que me deixaram um legado de testemunho de fé.   Tendo já concluído o Bacharelado de Teologia e realizado o Exame De Universa Theologia, passei uma semana em retiro, pela segunda vez, fazendo a experiência dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio, em Itaici – SP, preparando-me assim para a Ordenação Sacerdotal. Assim completavam-se 11 anos de caminho seminarístico. Neste tempo amadureci, firmei propósitos, lancei bases para um caminho que acreditei e acredito sem volta.



 Conforme os anos no seminário foram passando, fui me convencendo do que hoje me é tão óbvio: fui compreendendo de que o padre é um chamado por Deus. Não é uma vocação que alguém escolhe, porque se julga apto para tal, ou porque acha interessante. A escolha é de Deus, e o seu chamado não se discute; ao seu chamado se responde sim, a  exemplo de Maria Santíssima. Por isso, o sacerdócio é um privilégio, imerecido. Antes da eleição dos Apóstolos, e também dos discípulos, Jesus passou a noite em oração. Pela manhã, Ele escolheu os  que queria para o seu grupo, com os quais fundou a sua Igreja, que subsistirá até o fim dos tempos – a Igreja Católica Apostólica Romana.



 O padre, portanto, é homem de Deus. Esta é sua característica fundamental. Tudo que se queira acrescentar à sua figura são detalhes acidentais. Jesus, aos 12 anos, afirmou: “Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?” (Lc 2,49). Tal é a realidade mais profunda do Padre - as coisas do Pai. Isto não impede que seja uma pessoa politizada e comprometida com a realidade que o cerca.



 Esta reflexão foi me conduzindo a uma paz interior muito grande, pois fui aceitando que Deus contava e conta comigo, mesmo indigno, cheio de pecados, e porque me escolheu por amor, sou impelido por este mesmo amor buscar viver sempre mais a busca da santidade.



 Para a minha ordenação escolhi como lema: “Ele me escolheu, me consagrou, me enviou”, parafraseando Isaías 61,1-2 e Lucas 4, 16-30. Pois, quanto mais caminhava na preparação para assumir o sacerdócio ordenado, tanto mais ia tomando consciência que a iniciativa teria sido de Deus, que me chamava e, como resposta esperava meu sim. Este sim se concretizaria na celebração da ordenação sacerdotal e se estenderia para sempre e eternamente.



 Jesus, ao pregar na Sinagoga, assumia as palavras de Is 61, 1-2 as quais anunciavam a todas as nações a Sua missão de ungido do Senhor. Este trecho nos relata o ministério de Jesus aqui na terra que se constitui também na nossa missão, pelo poder do Espírito Santo: anunciar a boa nova, proclamar a libertação dos cativos, recuperar a vista aos cegos, livrar os oprimidos e proclamar o perdão do Senhor! Todos nós que somos batizados em Cristo temos também esta vocação. E eu,  pobre e indigno, queria e quero assumir mais radicalmente esta missão, doando-me totalmente como sacerdote de Cristo.



 Na ocasião da minha ordenação, no momento em que me prostrei para a Ladainha de todos os Santos, pedi a Deus que pela palavra que eu anunciasse, pela oração que fizesse ou pelo meu testemunho, todas estas coisas acontecessem àqueles a quem iria me dirigir. Naquele tempo o povo de Nazaré não acreditou em Jesus porque Ele era de casa, mas mesmo assim Ele não desistia dos seus. É difícil para nós também anunciarmos Jesus na nossa casa ou evangelizar as pessoas no lugar onde todos nos conhecem. Nem sempre somos acolhidos e admirados porque seguimos os ensinamentos de Deus. Assim foi também no tempo de Jesus. Por isso é que Ele nos recorda as figuras de Elias que fez prodígios na vida de uma viúva que não pertencia ao povo de Israel e Naamã, o sírio, que procurou Eliseu longe da sua terra para ser curado da lepra. Às vezes não fazemos sucesso onde queríamos, mas o Senhor nos envia a alguém a quem nem imaginamos, para que por nosso meio esse alguém possa obter cura e libertação.



Minha ordenação aconteceu em 22 de janeiro de 2000, na Paróquia São Paulo, em Mirassol D´Oeste – MT, minha cidade natal. Será um dia inesquecível para mim. Senti a mão de Deus por cima de mim. Pude dividir essa alegria com toda a comunidade paroquial, com Padre Anselmo, com minha família, com o clero e com Dom José Vieira de Lima que me ordenou sacerdote, a quem tenho como a um pai.



 Em janeiro de 2000 Dom José Vieira me provisionou como pároco da Paróquia Bom Jesus – Reserva do Cabaçal, onde permaneci até dezembro daquele ano, e ao mesmo tempo fui posto como vigário da Paróquia São José Operário, de São José dos Quatro Marcos. Nestas duas paróquias fiz o começo da minha vida sacerdotal e hoje percebo como Deus foi generoso comigo, pois nem posso medir o quanto fui amado por aquelas duas comunidades. E ainda mais, pude compartilhar uma maravilhosa experiência de vida, morando com Padre Georges Martin.  Pela ocasião da Assembleia Diocesana deste mesmo ano, reuniu-se o Colégio de Consultores e ao final da reunião Dom José comunicou da indicação do meu nome para assumir a reitoria do Seminário Maior São José, em Várzea Grande – MT. Permaneci nesta função por nove anos, encerrando em dezembro de 2009. Durante este período lecionei nos cursos de Teologia e Filosofia no SEDAC – Instudium Eclesiástico da CNBB, fui vigário da Paróquia Nossa Senhora da Guia, Arquidiocese de Cuiabá, presidente da OSIB – Regional Oeste 2; prestei ajuda à Paróquia de Nossa Senhora do Livramento e ainda fiz a faculdade de Comunicação Social com habilitação em Rádio e Televisão, pela Universidade Federal de Mato Grosso. Nos anos que tive a missão de auxiliar na formação dos novos padres da Diocese de São Luiz de Cáceres senti crescer ainda mais dentro de mim esse desejo de servir a Cristo e sua Igreja, pois pude ver de bem perto o quanto o mundo necessita de santos sacerdotes.



 Em janeiro de 2012 Dom Antonio Emidio Vilar me fez pároco da Paróquia São Luiz – Catedral Diocesana São Luiz de França, onde tenho procurado viver como um escolhido, consagrado e enviado do Senhor, a evangelizar. Nestes últimos anos me foram ainda confiadas algumas missões particulares, entre elas a de assessorar as Pastorais  Litúrgica e Presbiteral, o que tenho como uma graça e satisfação. 



 A cada dia procuro reviver e celebrar este lema: “Ele me escolheu, me consagrou, me enviou” e peço ao Pai que as contrariedades da vida jamais me impeçam de seguir o caminho que Ele traçou para mim. Com Jesus, quero seguir sempre adiante!... “e me consumir, como vela que queima no Altar, me consumir de amor”.