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Equipe Diocese São Luíz


Frei Grignion Eduardus Achilles Von Den Humel




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Nascimento: *01/02/1929   Data da Morte: +13/04/2014
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BIOGRAFIA



Sou Filho de Eduardo e de Wilhermina e éramos em 5 irmãos, sendo quatro homens e uma mulher. Nasci na cidade de Groede na Província de Zeiland, na Holanda, no dia 01 de fevereiro de 1929. Segundo o costume da época fui batizado no mesmo dia do nascimento. Na verdade, como a mãe ainda não podia ir à igreja, sempre era a madrinha, o pai e a família que levava o recém-nascido para o batismo. A Crisma veio quando eu tinha sete anos, dado a dificuldade da presença do Bispo da região. A cidade era muito pequena, talvez não mais que 3 mil pessoas.



                A realidade religiosa da época na cidade era complexa, pois havia mais sete religiões, além da Católica. Não se falava em evangélico e sim protestantes. Portanto, a experiência religiosa nesta região era muito intensa. Não faltavam padres e muitos eram enviados em missão, inclusive para França, considerada na época “terra de missão”. O Brasil também compunha este conjunto de terra de missão, fora da Holanda. A população do país não ultrapassava dose milhões de habitantes.



Com 13 anos de idade fui para o seminário menor, ainda na Holanda, no mês de Setembro de 1942, quando normalmente começa o ano escolar na Europa. Infelizmente, depois de ano no seminário, fui informado que eu não tinha vocação, portanto, não precisava voltar ao seminário. Chegando em casa, meu pai me perguntou: “e agora menino, o vamos fazer?”. Eu respondi, “se eu não posso ser padre quero ser irmão religioso”. No mesmo ano fui então para a congregação dos “irmãos da Virgem Mãe de Deus, Nossa Senhora da Imaculada Conceição de Huyberger”. Huyberger é o nome da cidade e o padroeiro da congregação era São Francisco de Assis, pois pertencia á terceira Ordem Franciscana, a maior e mais popular congregação da época.



No ano de 1944, por conta da segunda guerra mundial, não pude retornar aos estudos. A cidade onde eu morava ficou 60% destruída. Meu pai perdeu o emprego e nós ficamos somente com a roupa do corpo. Foi um tempo de provação, sofrimento e deslocamentos das famílias. A minha foi levada para uma cidade vizinha que ainda não tinha sido bombardeada. A experiência da guerra marcou de fato esta geração. Como eu  não podia voltar aos estudos, fui trabalhar numa gráfica da cidade entregando jornais católicos à noite.



Passaram-se assim, quase dois anos, quando um dia andando pelas ruas da cidade, vi duas irmãs da congregação. Chegando em casa, meu assunto era somente aquele. Minha mãe então me perguntou: “Você não quer voltar a estudar?” naqueles dias a situação financeira da família já era bem melhor. Foi assim que voltei então aos estudos, no mesmo seminário. Estes estudos no seminário eram diferentes de hoje, os ensinamentos eram mais para ser professor, no entanto tinha também muitos estudos de teologia. Terminados meus estudos, fiquei trabalhando na Holanda como professor por cinco anos, foi então que vim para o Brasil. Eu fui um dos primeiros que vieram de avião, até então era somente de navio. A viagem durava mais de um mês no mar.



Dom Máximo era o bispo de Cáceres, e em uma de suas visitas á Europa, solicitou que viéssemos para atender a Diocese de Cáceres. No ano de 1962, cheguei a Cáceres para ser professor. Eu era religioso e não padre ainda. Nosso objetivo como congregação era formar escolas e atuar na área da educação. Na época tínhamos apenas duas casas no Brasil, Cáceres, com cinco religiosos e Formosa, no Distrito Federal, com três missionários, este número variava de ano para ano. O senhor bispo, Dom Máximo, orientou que seria bom ter um padre na congregação. Foi ai que eu pensei; “chegou minha vez”. Era uma novidade, pois minha congregação não tinha este objetivo e costume. Depois de 20 anos de irmão religioso, retomei os estudos teológicos em Campo Grande – MS. Em 1982 fui ordenado padre na Catedral de Cáceres por Dom Máximo Biennés.



O lema de minha vida religiosa sempre foi:



“Coloco minha vida sob proteção da Imaculada Conceição”.



Portanto, todo meu trabalho presbiteral foi dedicado á cidade de Cáceres, nesta Diocese de São Luiz. Muitos padres já passaram pela paróquia da Catedral, desde o Pe. Francisco, quando comecei meu ministério até os dias atuais. Sempre ajudei também a alguns padres amigos como, por exemplo, na cidade do Jauru, em retiros e confissões, assim como em outras paroquias.



Meu Ministério, além do atendimento diretamente na Catedral, foi sempre dedicado aos doentes, particularmente aos hospitais da cidade. Sempre me realizei no ministério através deste atendimento nas casas, aos doentes, aos menos favorecidos, este, na verdade foi o cuidado maior de Jesus. Foi também o que ele mais pediu aos seus discípulos. Vejo também que esta é a manifestação do Amor de Jesus mais queria para os seus seguidores: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei. Não há maior amor do que dar a vida pelos seus amigos”. O meu serviço aos pobres não depende do credo da pessoa; atendo a todos, respeitando é claro as convicções próprias de cada um. Um dia atendendo a um doente evangélico, o convidei a rezar o Pai-nosso, no final ele me disse “Virgem Maria, como eu gosto do Pai-nosso”. Neste serviço aos irmãos doentes já vi e escutei muitas coisas que me fazem repensar a cada dia a fé e o amor a Jesus Ressuscitado.



Hoje vejo que muitas coisas mudaram no comportamento religioso das pessoas, há muitos mais descrentes, angustiados e sem muitas esperanças em Deus. É o efeito do ateísmo crescente em nossos dias. Vivendo em um ambiente estudantil, pois vivi sempre no ISM (Instituto Santa Maria), percebo o quanto é importante a presença junto a juventude. A presença da Igreja na formação da pessoa deixa marcas que permanecem para o resto da vida. Isto se manifesta depois na vida da família no seu devido tempo. Todo jovem busca um sentido para sua vida e a palavra de Deus dá esta direção. No conjunto da vida isto fará uma grande diferença. Por exemplo, hoje me chegam muitas crianças e jovens que ainda vem pedir benção e dizem: “meu pai ou minha mãe casou com o senhor”. Isto significa a presença da igreja, que acaba tendo seu efeito na experiência religiosa da pessoa.



Uma outra experiência importante tem sido a da Comunidade Imaculada Conceição, onde estive ligado mais diretamente. É uma comunidade rica de vida religiosa e abençoada.



Vejo que nossa Diocese também mudou muito e para melhor. Temos, ultimamente, muitas lideranças para ajudar. Muitos cursos de formação e projetos que vão ajudando a compreender melhor a missão de cada um dentro da igreja.



Sempre tive atenção para a missa diária assim como a devoção à Eucaristia. O exemplo dos santos nos ajuda muito a compreender e viver a nossa fé. Por isso, mantenho o bom costume de distribuir santinhos com orações e contando as santas histórias destes homens e mulheres de Deus. Ninguém deve imitar ninguém, porém, devemos aprender com os outros, principalmente na experiência de Deus que cada um faz.



Agradeço a Deus por ter me oferecido esta rica experiência religiosa, primeiro como irmão religioso e depois como presbítero nesta Diocese. Construí grandes amizades e tenho pessoas muito confiáveis que estão atentas ao meu dia a dia e quando preciso estão sempre por perto me socorrendo.



Que Deus abençoe a todos. Continuo rezando para que nosso bom Deus acompanhe a cada irmão e irmã com a suas bênçãos.