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Equipe Diocese São Luíz


Pe. Devair Braga Caldeira




Ordena??o Diaconal: 1997-12-28
Ordena??o Sacerdotal: 1998-04-05
E-Mail: livramento@diocesedecaceres.com.br
Idade:52anos
Endereço: Av. Coronel Botelho, 10 - Centro - N. Senhora do LivramentoMT - 78.170-000
Telefone: (65) 3351-1256
Paróquia: Paróquia Nossa Senhora do Livramento





BIOGRAFIA



Chega um momento na vida em que temos que fazer nossas escolhas, nossas opções. Em 1988 tomei uma decisão importante, a de iniciar a formação rumo ao sacerdócio. Foi uma escolha difícil, afinal, escolher exige renúncia de outras possibilidades.



De família rural e campesina, cresci participando da pequena comunidade eclesial, a ceb's; naquela época, o clero diocesano com poucos padres, na maioria de origem europeia, reunia todos os esforços possíveis, para aplicar na nossa realidade pastoral as novidades do Concilio Vaticano II, expresso no documento de Medellin e Puebla. Havia uma efervescência de entusiasmo. Andávamos cinco ou seis quilômetros a pé para participar de um grupo de reflexão, e todos faziam com muita alegria. Somado a esta nova experiência religiosa e motivados pela propaganda oficial do governo federal, todos os dias caminhões cruzavam a ponte do rio Paraguai com mudanças, às vezes trazendo duas e até três famílias. Vinham em busca da realização da promessa de prosperidade, que da parte da ditadura nunca foram cumpridas. Heroicamente cada família se organizou como pôde, resistindo bravamente às inúmeras dificuldades, trabalhando arduamente nas lavouras de café de sol a sol sonhando em prosperar. As famílias, na maioria católica, se animavam e fortaleciam em torno da palavra de Deus. A missa acontecia uma vez por mês, e este dia era esperado com muita expectativa, era a festa da vida.



Sou herdeiro desta tradição rural e profundamente religiosa. A decisão de ir para o seminário, foi resultado deste processo, do testemunho de fé da minha família e tantos irmãos e irmãs de caminhada que zelosos, me ajudaram a descobrir em sua singeleza e simplicidade o valoroso caminho do Evangelho, exigente, porém, realizador. Naquela época o seminário era no Jauru, e éramos em 16 seminaristas, destes, na nossa Diocese temos dois padres, os outros trilharam novos caminhos.



Em 1999, iniciei os estudos de filosofia em Campo Grande no Mato Grosso do Sul; foram sete anos de formação, até a ordenação diaconal e sacerdotal. Tempos que me marcaram profundamente, nos estudos, na espiritualidade, na vida comunitária e pastoral. Aprendi muito e sou grato a todos. Fazer uma opção fundamental é exigente, ainda nobre como esta,  aumenta a responsabilidade. Quanto mais aproximava o fim dos estudos aumentava a alegria e a aflição da decisão; foram longos os dias de joelhos diante do santíssimo, de orientação espiritual e diálogo com os companheiros de seminário, até compreender que somos um vaso frágil nas mãos do oleiro, santos e pecadores, e que sempre é tempo de se construir ou reconstruir quando necessário.      



Durante esses anos trago em mim as marcas do discípulo missionário entusiasmado por Jesus Cristo e ao mesmo tempo a fragilidade daquele que ainda tem muito que aprender com o mestre, sobretudo, o amor gratuito e incondicional.  No seminário uns chegam, outros saem, é sempre assim. Quando alguém é ordenado,  os corações de todos se enchem de alegria e esperança,  a paróquia do ordenando se rejubila em festa porque é um filho seu que vem para estar a serviço do Evangelho. Assim foi comigo e com todos aqueles que abraçaram a cruz de nosso Senhor Jesus Cristo.    



Louvo e agradeço a Deus pelos quinze anos de vida sacerdotal, pelos trabalhos que realizei, pelas pessoas que conheci, convivi, todos aqueles e aquelas que somaram na caminhada. Reconheço que muitas coisas poderiam ter sido diferentes, mas não puderam ser. A experiência de ter convivido com o povo Chiquitano da fronteira foi muito rica e cheia de aprendizado; povo simples, acolhedor e sedento de fé, que há muitos anos vem sendo maltratado e expulso de suas terras. Muitos, por medo, chegam a negar a sua própria identidade. Cito a realidade atual da comunidade Vila Nova e Barbecho, que as conheci de perto. “O primeiro impasse desta comunidade está no direito sobre suas terras tradicionais como prevê a CF/88 que está na maior parte invadida pelos fazendeiros. O segundo impasse é que o fazendeiro continua insistentemente vindo até a aldeia amedrontar seus moradores para que abandonem o local e deixem o restante de suas terras para ele, como fez até o momento para conseguir a posse da fazenda na fronteira”. 



Por mais de uma vez, ouvi as longas e belas histórias do Pajé no Portal do Encantado, histórias contadas com lucidez, coisas que fazem parte da alma daquele abençoado povo. Sou solidário com a luta do povo chiquitano, rezo e sou confiante que seus filhos terão dias melhores. Ao povo católico dos municípios de Porto Esperidião e Glória D'oeste, a minha eterna gratidão por ter convivido pessoalmente com vocês, tenham certeza que ocupam um lugar privilegiado no meu coração, e faço votos que a Igreja de nosso Senhor Jesus Cristo possa se consolidar ainda mais pelos abundantes testemunhos de vocês.



Nas muitas andanças pelas estradas cheias de buracos ou lama, não faltou ocasião de passar a noite inteira atolado em companhia de teimosos pernilongos que nunca estavam satisfeitos. Noite longa e lugar perigoso.  Depois de Porto Esperidião, assumi a paróquia Santíssima Trindade em Cáceres no mês de maio de 2008. Sempre que muda de padre sofre o povo e quem chega. Lá não foi diferente. Aos poucos,  fomos nos envolvendo nos trabalhos e construindo o itinerário. Hoje temos boas lideranças na paróquia, comprometidas com a caminhada. Desde que cheguei me chamou a atenção a simplicidade desta gente. Aqui nesta nova paróquia tudo é simples, as comunidades, as pessoas, as celebrações, a caminhada.



A paróquia nasceu e se constituiu na proposta da Ceb's, organizada em redes de comunidades, tendo como centro a Palavra e a Eucaristia, distribuídas abundantemente nas celebrações e nos pequenos grupos de reflexão que acontecem desde a sua criação semanalmente nas famílias; esta opção pastoral ainda continua. A paróquia abrange parte de dois municípios, o de Cáceres e o de Porto Estrela. A maior parte das comunidades  estão localizadas na zona rural, nas margens da MT 343, que no tempo das chuvas o acesso é muito difícil, comprometendo o deslocamento das pessoas e da riqueza produzida na grande região. O povo reivindica o asfalto há muito tempo, mas até agora há só promessas. Pede-se asfalto para o povo, não apenas um corredor para escoar os grãos do agro negócio. A maioria das pequenas comunidades eclesiais são formadas pelos povos tradicionais, que tem o seu ritmo próprio de vida. A realidade fundiária se assemelha à dos povos chiquitanos. Sem a terra para viver os jovens migram para as periferias das cidades em busca de emprego, comprometendo em um curto espaço de tempo a existência das comunidades rurais.



Hoje na nossa paróquia Santíssima Trindade estamos empreendendo esforços para reforçar a pastoral da  visitação, o fortalecimento dos grupos de reflexão e organizando o dízimo de forma missionária, na perspectiva de que esta seja a principal fonte de sustentação dos nossos trabalhos. Roguemos para que Deus nos ilumine na execução deste projeto. Temos o sonho de construir a Igreja matriz. Este projeto nasceu da necessidade de se ter uma referência, um lugar simples, acolhedor, onde todos possam fazer a experiência com Jesus Cristo e testemunhá-lo na vida. É um sonho grande, que mobiliza esforços em toda a paróquia e de parceiros que acreditam e somam para que a Igreja de Jesus Cristo possa cumprir bem a sua missão no mundo. Estamos na fase de elaboração dos projetos, que requer uma atenção especial. Uma Igreja não se constrói sempre, é preciso ter presente o hoje e também o amanhã. Acredito que a nossa bela cidade tem um promissor desenvolvimento e continue sendo o polo de toda a região.



Acerca das alegrias e desafios na missão, que fazem muitos se animarem e desanimarem, Jesus deixou claro para seus discípulos, não se preocupou com números, mas com a fidelidade. Podemos escolher ficar com Jesus, caminhar e aprender com ele, ou ficar sem ele, caminhar sem rumo, perdidos e desorientados. “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavra de vida eterna.” Esta foi a frase pronunciada por Pedro em nome dos doze diante das exigências da missão apresentadas por Jesus Cristo a seus discípulos. Antes de ser ordenado diácono, tendo consciência do que ainda estava por vir, rezei, escolhi e guardei esta frase no coração, e ao longo destes anos ela tem iluminado o meu sacerdócio nos momentos alegres e difíceis. Muitas lideranças por este ou aquele motivo se desencantam da vida eclesial. Quem não vive a vida como missão, se empobrece e consequentemente empobrece também a vida dos outros. Tenha certeza, Deus confiou a você uma missão, ela é intransferível e pessoal. É só sua,  não se prive desta obrigação. Conheço muitas pessoas batizadas que são ótimas, mas que ainda não se despertaram. Deus tem um plano especial e conta com você, busque uma razão mais profunda pra viver, esta razão é Jesus Cristo e seu projeto libertador. Abraço a todos e que Deus nos abençoe nesta árdua, porém, gratificante missão de Evangelizar.