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Equipe Diocese São Luíz


Pe. Antenor Petini




Ordena??o Diaconal: 2006-03-18
Ordena??o Sacerdotal: 2006-09-30
E-Mail: peantenor@hotmail.com
Idade:66anos
Endereço: Av. Gonçalo Botelho de Campos, 2345, Cristo Rei Várzea Grande-MT
Telefone: (65)30291261
Paróquia:





BIOGRAFIA



Nasci no município de Bilac-SP, aos 4 de novembro de 1953. Sou o sétimo filho de uma família de treze irmãos. Com 5 anos de idade deixei minha terra natal e migrei, com a família, para o estado do Paraná, região de Paranavaí. Ali cresci, estudei e vivi até os 17 anos. Tinha essa idade quando minha família deixou a Diocese de Paranavaí e se mudou para a cidade de Icaraíma, diocese de Umuarama. Ali tudo era novo, a região, a cidade, a própria diocese que, desmembrada de Campo Mourão estava se instalando e iniciando sua missão. Havia um dinamismo extraordinário naquelas comunidades e paróquias, e naquela gente.



A nova diocese se destacava no trabalho com as Comunidades Eclesiais de Base - CEBs, com os grupos de reflexão de famílias, cursilho, e inúmeras iniciativas com os Jovens e as famílias. Amei ter ido morar naquela região. Ali, já não ia mais às missas por obrigação, mas pelo prazer de me sentir irmão e amigo numa comunidade de fé e vida. Nossa comunidade de Santa Luzia era muito viva e dinâmica. Cuidava muito bem das celebrações dominicais. Eram dirigidas por agentes leigos e leigas, ministros da Palavra e da Eucaristia e boas equipes de liturgia e animadores do canto litúrgico. Tinha uma coordenação bem entrosada com as necessidades da paróquia e da comunidade local.



 Os padres da nossa sede paroquial, Nossa Senhora Aparecida, eram franceses do Instituto de Sant Jacques. Muito dinâmicos, criativos, amigos e presentes, nos acompanhavam bem de perto com muitas atividades. Proporcionavam inúmeras ocasiões de encontros formativos para as lideranças adultas e jovens; promoviam gincanas bíblicas, treinamentos de liderança, missas especiais da Juventude, teatro, etc. As comunidades se visitavam entre si, celebravam juntas em algumas ocasiões especiais, trocavam experiências, se ajudavam mutuamente. Muita formação e treinamento eram oferecidos às equipes de celebração do culto dominical, aos catequistas, aos animadores dos grupos de reflexão e grupos de jovens.



 Era muito lindo. Nosso grupo de jovem se mantinha perseverante com mais de 40 membros durante todo o ano e estávamos presentes em tudo o que se realizava na paróquia e na comunidade, desde o canto, a liturgia até a catequese, o trabalho nas festas, as campanhas, os mutirões para cuidar da Igreja. Foi nesse contexto que me senti chamado.



Minha vocação


 Ali, naquele ambiente, naquela comunidade, olhando para o jeito de ser e de trabalhar de nossos padres, sua alegria, sua presença amiga entre nós, e olhando para os frutos daquele trabalho, senti que podia fazer algo mais. Desejei então consagrar a minha vida a serviço da Igreja e do povo que Deus quer reunir em comunidade de fé e vida. Meu modelo de padre eram nossos padres, o pároco Pe. Francisco Cocaing e os vigários Pe. João Pedro Mingan e Pe. Pierre Le-Corre. Também nosso Bispo, Dom José Maria Maimone, apenas chegado na nova diocese, era muito dinâmico, presente, amigo, próximo das pessoas, bom pastor no verdadeiro sentido da palavra.



 Um certo dia, num encontro paroquial de Jovens chamei nosso vigário Pe. Pierre e lhe disse que “me passava pela cabeça a ideia de ser padre”. Ele sorriu, me acolheu, me abraçou, me instruiu e me convidou para ir com ele, dentro de duas semanas, numa visita ao bispo, na sede da diocese. E fomos. O bispo também me recebeu alegremente e me estimulou a perseverar. Disse-me que nós, os jovens vocacionados, éramos o futuro promissor da sua jovem diocese. E já saí da Cúria com data marcada para participar de um encontro vocacional diocesano.



“E agora José”?  



 Voltei para casa e não sabia como dizer a meus pais que iria ao encontro vocacional na diocese. Nunca havia me afastado de casa, era muito apegado à família, especialmente à minha mãe. Minha família era do tipo patriarcal em que todos os filhos, mesmo os que se casavam, permaneciam ao redor do núcleo familiar. Seria eu o primeiro a “desertar”? Não era decisão fácil. Mas meu chamado foi do tipo arrebatador: eu tinha que ir.



Já não podia mais continuar ali, naquela “vidinha” pacata e tranquila: família unida, trabalho em família, membro de um maravilhoso grupo de jovens na comunidade... Algo novo me desafiava. Nem cogitava ignorar o chamado.



 Não responder, não tomar o novo caminho era o mesmo que perder o horizonte da vida, frustrar-se, não se realizar de verdade. Escolhi um bom momento para falar do assunto com meu pai – ele preparava as tralhas para a pesca. Imaginava até mesmo tomar uma bronca e receber um redondo “não”. Mas não foi assim: ele apoiou suas varas de pesca no galpão, me escutou silencioso, cabeça baixa, reflexivo. Depois me disse: “meu filho, se você acha que esse é seu caminho, siga em frente. Eu sei que você está escolhendo um caminho espinhoso, cheio de provação, a vida dos padres não é fácil, mas se é esse o seu desejo, tem meu apoio”.



 Fiquei radiante de alegria e me senti aliviado. A partir daquele dia me tornei mais próximo do meu pai. E foi ele, meu pai, que facilitou minha vida, falando com minha mãe sobre a minha decisão. Tratar desse assunto com ela, para mim, seria mais difícil, como de fato foi. Um dia a vi chorando e perguntei o porquê. “Você vai embora, me respondeu”. E não foi fácil tentar explicar a ela que era um outro jeito de “ir embora”. Era um ir para voltar, um ser retirado para ser preparado e devolvido. Ao menos era essa a minha compreensão e o meu ideal de padre: ir prepararme para voltar à minha diocese, ser padre com aquele povo, tendo como modelo os padres de nossa paróquia. Mas, na realidade, a vida não foi bem assim.



O Ingresso no Seminário – Londrina-PR


 Menos de um ano após o encontro vocacional em Umuarama já estava indo para o seminário. Na época, 1974, nossa diocese recém-criada não tinha ainda seu seminário próprio. Fomos todos estudar em Londrina, no seminário da arquidiocese, há cerca de 200 km de minha cidade. Éramos um alegre grupo de dez jovens. Ia com mais um companheiro da minha cidade, Sebastião.



 Meu Deus que aventura para quem nunca se afastava de casa! Era excitante, mesmo fascinante, mas, ao mesmo tempo, nada fácil. Deixar a família e a comunidade foi a parte mais difícil e me custou aprender a viver longe deles. Londrina, porém, era uma cidade grande e atraente: calçadões, praças, teatros, shows, eventos... Nosso seminário – Paulo VI - ficava à margem do belo lago de Igapó cuja barragem eu percorria, com meus colegas, todas as manhãs, indo para o Colégio, o Liceu Mario de Andrade onde estudávamos.



 Tinha muita saudade da vida simples lá na roça, no interior, os amigos, mas amava estar ali, na cidade grande, fervilhando de gente, de possibilidades. Foram dois bons anos em Londrina, numa comunidade numerosa que reunia seminaristas da própria arquidiocese e das dioceses de Guarapuava e Umuarama. Foram anos decisivos para o meu crescimento humano e espiritual e para o fortalecimento da minha convicção de que seria padre.



 Nosso reitor, Pe. José, era um espanhol duro na queda, intransigente, mas extraordinário educador. Inteiramente devotado ao zelo dos seminaristas e do seminário, dava o melhor de si e da instituição para a nossa formação. Com ele tínhamos aula de música, de latim, de aprofundamento na língua portuguesa e de civilidade. Apaixonado por orquídeas tinha no seminário um dos mais completos orquidários do sul do país. Frequentava exposições da categoria e vencia todas. Ficava sempre muito feliz quando sabíamos apreciar a beleza de suas orquídeas. Também gostava de fazer excursões com a comunidade do seminário, especialmente em meio à natureza. Preferia os lugares altos, serras, colinas, lugares ermos. Ali se brincava, rezava, meditava, comíamos e bebíamos, e aprendíamos com ele belas lições de respeito à mãe natureza. Dizia-nos, ao final da jornada: quem passar por aqui, depois de nós, não deve encontrar vestígio de nossa passagem, a natureza tem que estar intacta, cada pedra no seu lugar, nenhum ramo quebrado, nenhum fragmento de lixo, de restos de comida, nenhum traço de incivilidade. Nós aguardávamos ansiosos  essas jornadas de passeio comunitário.



A volta para Umuarama – Nossa diocese de origem



 Em 1976 voltamos para nossa diocese, Umuarama, quando já tínhamos o próprio seminário quase pronto. Era uma casa simples, mas ampla, funcional, aconchegante. Casa que nós, seminaristas, também ajudamos a construir, especialmente na sua fase de acabamentos: pinturas, jardinagem, limpeza, área de esportes, organização... Nosso bispo era o nosso reitor. Deixou lá na cidade a sua casa episcopal, aliás,  bela casa, recém construída para residência do bispo na diocese recém criada, e veio morar conosco no seminário. Exercia entre nós papel de reitor. Ir. Helena, sua irmã de sangue, religiosa carmelita, em companhia de Ir. Mazarello e Ir. Thais  viviam com ele, e conosco, formando a comunidade do seminário. Éramos ali uma família bem fraterna. Havia um ambiente bom, familiar. Vivíamos uma vida de gente muito normal. O colégio João XXIII, onde estudávamos, ficava no centro da cidade. Escola privada, laica, não era lá grande coisa se comparada à excelência do Liceu Mário de Andrade, em Londrina, mas estávamos bem ali, nos sentíamos em casa. Estudávamos à noite, tínhamos aulas complementares pela manhã no seminário e, à tarde, ajudávamos a cuidar do centro de pastoral que era anexo: limpeza, manutenção, recepcionar encontros... Também participávamos de inúmeros encontros e cursos que ali eram ministrados para a formação de lideranças em toda a diocese. Nosso bispo, Dom Maimone, sempre dizia que antes de construir a Catedral, preferiu investir no Centro de Pastoral, CDF – Centro Diocesano de Formação, para formar a Igreja viva; a de pedra seria consequência, e assim foi. Recentemente, passados muitos anos, depois de todas as paróquias e comunidades bem alicerçadas e consolidadas, foi erguida a bela e imponente Catedral do Divino Espírito Santo numa das mais bonitas praças da cidade.



Formação na Ação


 Além dos estudos colegiais à noite, dos estudos internos às manhãs, dos cuidados com o seminário e o Centro de Pastoral às tardes, também assumíamos compromissos pastorais na cidade. No final de semana acompanhávamos os jovens, os catequistas, participávamos das comunidades, saíamos com o Bispo nas visitas pastorais. A vida era alegre, intensa e muito empenhativa.  Nosso  Bispo nos mantinha sempre informados sobre os acontecimentos da Igreja no Brasil.   Quando voltava das assembleias nacionais,  nos reunia, comunicava as novidades, mostrava os desafios, os projetos nacionais, os documentos pastorais. Encorajava-nos a ser padres numa igreja assim, profundamente inserida na vida do povo de Deus. Era um homem entusiasta e muito afinado com a Igreja em todo o Brasil.



A decisão de vir para Mato Grosso


 Foi numa dessas ocasiões que ele, o bispo, voltando da Assembleia Nacional dos Bispos, em Itaici-SP, nos reuniu e nos disse: a Igreja está muito preocupada com o fluxo migratório da Região Sul do Brasil para os estados do Norte e do Centro Oeste, especialmente Mato Grosso, Rondônia, Acre, Pará... As famílias empobrecidas migram em busca de melhores condições de vida, mas seus pastores não. Muitas igrejas no sul se esvaziam e nas novas fronteiras está quase tudo por fazer. Por isso, disse o bispo, meus padres e seminaristas cujas famílias também migraram, se desejarem tem meu aval para se transferirem àquelas regiões de missão. Foi assim que conheci Dom Máximo, a Diocese de Cáceres e a paróquia de Mirassol D'Oeste onde até hoje reside a maior parte da minha família.



Estágio em Mirassol D'Oeste


  Apoiado pelo bispo de Umuarama e acolhido pelo Bispo de Cáceres, Dom Máximo Biennès, vim para Mato Grosso. Em Mirassol D'Oeste era pároco o saudoso Pe. Tiago Gheza. Dele recebi grande estímulo para ficar por aqui. Me  dizia: “aqui as pessoas estão chegando, povoando a região, está quase tudo por fazer; seus pais residem aqui, aqui é o seu lugar”. Dava gosto trabalhar com Pe. Tiago! Como ele valorizava as pessoas que trabalhavam com ele, seminaristas, leigos, religiosas. Era um homem do Concílio Vaticano II, um apaixonado pela missão, pelo trabalho com as comunidades eclesiais, com os leigos. Dedicava grande parte do seu tempo e dos recursos da paróquia para a formação dos  leigos e leigas, os ministérios laicais, os catequistas, as lideranças sem se descuidar das vocações. Chegou até a abrir, em sua própria casa, um incipiente seminário. Nesse período eu lecionava para crianças do ensino fundamental no BCC – Colégio Benedito Cesário da Cruz pela manhã e, à noite, trabalhava com alunos adultos do supletivo em nível ginasial e colegial. Na parte da tarde atendia no escritório paroquial, cuidava da agenda do Pe. Tiago. Nos finais de semana estava comprometido com o JUMIRCA – Juventude Mirassolense Católica e visitava as comunidades, apoiando, ajudando nas suas necessidades. Quando possível acompanhava o pároco em suas vistas de “desobriga”. Esse período, com Pe. Tiago, em Mirassol se constitui numa das lembranças mais bonitas e mais caras da minha vida, um tempo favorável de discernimento vocacional e maturação na fé.



 Retorno ao Seminário Maior – Apucarana, a Igreja Irmã.  



Depois desse período, considerado de estágio em Mirassol, nos anos 1977 e 78, fui estudar filosofia no IFA – Instituto Filosófico de Apucarana-PR. Período de três anos – 1979 -81 – fato que me permitiu conhecer a bela experiência de nossa Igreja-Irmã, a Diocese de Apucarana, sob o Pastoreio de Dom Romeu Albert, homem de Deus, homem do Concílio Vat. II, homem do povo de Deus. Ali fui acolhido como irmão na Família Diocesana Apucaranense. Era assim que Dom Romeu se referia à sua Diocese, uma família. Senti-me em casa, senti-me irmão, fiz grandes amizades que duram até hoje. Aprendi muito com meus reitores, diretores, professores, colegas de curso e o povo das diaconias onde fazia pastoral nos finais de semana.



 Apucarana realizava um trabalho pastoral de vanguarda com suas diaconias e diáconos permanentes à frente. Fervilhavam os ministérios, o sentido da corresponsabilidade. A Igreja de Apucarana tinha uma identidade muito peculiar, era a Igreja do PLADAO – Plano Diocesano de Ação Orgânica, uma igreja viva, dinâmica, organizada, impulsionada pelas ideias renovadoras do Concílio Vaticano II; era a Igreja das diaconias... Também esse período marcou profundamente minha vida e me preparou para o passo seguinte, os estudos de Teologia em Roma. Foi Dom Romeu Albert quem sugeriu minha ida a Roma para os estudos de Teologia. Dom Máximo acolheu a sua sugestão e me apoiou em todos os sentidos.



 Roma – Pio Brasileiro e Pontifícia Universidade Gregoriana  



De Apucarana segui para Roma em agosto de 1981. Levava no coração a gratidão pela indicação de Dom Romeu Albert e nas mãos a missio Canonica assinada por Dom Máximo. Estava muito feliz por ter sido indicado para estudar na “Cidade Eterna”. Já estava inscrito para residir no Pontifício Colégio Pio Brasileiro e estudar teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana. O Colégio Pio Brasileiro é uma espécie de “nossa casa” em Roma. Ali residem estudantes brasileiros provenientes de todas as dioceses do Brasil. O colégio acolhe também alunos da América Latina, Caribe e do Continente Africano num espírito de cooperação com outras igrejas. Foi uma experiência muita rica residir no “Pio” – como carinhosamente o chamamos - conhecer pessoas de todas as regiões do Brasil e de muitas outras nações. Muitos bispos também passavam por lá, se hospedavam na casa, falavam à comunidade, nos atualizavam sobre os acontecimentos sociais e eclesiais no Brasil. Residindo no Pio também vivi duas experiências muito fortes e dolorosas: em menos de um ano longe de casa, perdi Padre Tiago e perdi minha mãe, duas pessoas muito importantes em minha vida! As orações dos amigos do Brasil e a solidariedade dos colegas em Roma me ajudaram a suportar e a superar essas perdas. Apesar disso a vida no Pio foi inesquecível, rica em todos os sentidos e deixou saudade.  



            Na Universidade também o ambiente era maravilhoso e profundamente enriquecedor. Convivia em minha sala de aula com alunos e alunas dos cinco continentes. Por dois anos seguidos fui representante de classe e isso me permitiu um relacionamento mais estreito com alunos, professores e direção. Terminados os estudos de Teologia fundamental voltei ao Brasil no final de 1984. Dom Máximo não estava bem de saúde. Ordenou-me diácono em 15 de dezembro de 1984 e padre em 6 de janeiro de 1985.



Padre Antenor Petini


 Fui o primeiro padre brasileiro e diocesano da diocese de São Luiz de Cáceres. Logo em seguida veio o querido e saudoso padre Pedrinho. Ele foi o segundo padre diocesano, o segundo brasileiro e o primeiro matogrossense nascido no território de nossa diocese, na região de Poconé.



 Que alegria ser padre na diocese de Cáceres! Para nós era também ano Jubilar, a diocese completava 75 anos de existência e missão. Fui nomeado vigário na paróquia da catedral quando Pe. Francisco Bernardi, nosso saudoso e querido Pe. Chico era o seu pároco. Conviver com o Pe. Chico como Pároco e com Dom Máximo como Bispo foi muito agradável, além de edificante. Um excelente complemento para a minha formação e grande estímulo para minha vida ministerial. Eles, pessoas entusiastas, cheias de vida e energia pastoral, me ajudaram a aterrissar em nossa realidade cacerense. Ali exerci a assessoria à juventude diocesana e acompanhei as comunidades dos bairros e da zona rural da paróquia. Aquilo que hoje são as paróquias Santíssima Trindade e Cristo Trabalhador tudo pertencia à paróquia da catedral. Atendíamos de Cáceres a Novo Oriente e João XXIII (antigo Boi Morto), perto de Porto Estrela até acima do Posto 120 na estrada para Cuiabá, e também as comunidades ribeirinhas no Rio Paraguai acima. O serviço era intenso, mas mesmo assim, em plena juventude, ainda consegui dar dois anos de presença e ensino junto à UNEMAT, naquele tempo FCESC, FUCUC.  Ensinei História e Fundamentos de Ética e Filosofia. Em 1988 Pe. Chico voltou para a Itália e eu assumi a catedral na função de pároco. No período de pouco mais de três anos tive como vigários Pe. João Dias, Pe. Edson, Pe. Salomão e o eterno companheiro Frei Grignon. Fiquei até 1991 quando regressei a Roma para o mestrado em teologia Dogmática. De novo Pio Brasileiro, de Novo Gregoriana. Desta vez estava na Itália como padre e isso me permitiu intensificar minhas relações com a Igreja Italiana. Fui cooperador na Paróquia Madonna di Fátima na cidade de Terni e capelão das irmãs de Jesus Crucificado em Roma (Suore Crocifisse adoratrici di Gesù nell'Eucaristia). Voltei ao Brasil em janeiro de 1995. Cedido pela Diocese de Cáceres, fiquei em Cuiabá, a serviço do Regional Oeste 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB. Durante esses quase 20 anos não fiz outra coisa que servir à CNBB de modo particular e, à minha diocese de Cáceres com um carinho especial.



 De janeiro de 1995 a janeiro 2001 residi no CENE – Centro Nova Evangelização, em Cuiabá e fui secretário regional. Nesse ínterim a diocese de Cáceres ficou vacante com a Transferência de nosso bispo Dom Paulo De Conto. Por cerca de 5 meses assumi, então, a administração da diocese sem deixar os serviços no Regional. Nesse mesmo período fundamos a faculdade SEDAC. Construí a nova sede em Várzea Grande e fui seu primeiro diretor, tarefa que exerci até fevereiro de 2011. Nesse mesmo período, ainda, construí o Seminário Maior, São José, da Diocese de Cáceres em Várzea Grande.  Então deixei a direção da faculdade, permanecendo somente professor. A pedido dos bispos do regional, em março de 2011 retornei ao secretariado regional da CNBB. Aqui estou até hoje. Aqui busco viver cada dia minha vocação batismal e minha consagração como presbítero diocesano a serviço do Povo de Deus e de seu Reino nas terras de Mato Grosso.



Tu me seduziste, Senhor – Jer. 20,7


 Esse foi o lema de minha ordenação, meu motivo luz, a ideia força do meu sacerdócio. É o que até hoje me inspira, impulsiona, restaura minhas forças, renova e revigora a minha convicção. “Seduziste-me, Senhor, e eu me deixei seduzir”. Estava em Roma, no meu quarto, estudava o livro da Profecia de Jeremias para dar exames na Universidade quando deparei com esse texto. Foi um estalo: isto, isto sim, pensava comigo mesmo, isto diz tudo sobre mim, sobre minha vida, minha história vocacional. Fui seduzido pelo Senhor quando Ele bem quis... e me deixei seduzir por Ele. Lembrava-me do que havia escrito num álbum de fotografias de meus 20 anos, quando fiz o TLC – Treinamento de Liderança Cristã, na Diocese de Umuarama. Sob a foto do grupo, escrevi: “Senhor, eu nunca mais te esquecerei”. Seduzido me senti quando fui chamado, cerca de um ano mais tarde. Algo de arrebatador, uma espécie de paixão quase irracional. Eu tinha que ir... Me lembro, porém, que fiquei muito apreensivo, porque já era adulto, 21 anos. Perguntava-me: por que isso agora? Meu tempo já passou! Não sou mais um menino! Tenho outros projetos de vida: estudar, profissionalizar-me, casar, constituir uma família, ser bom pai, bom cristão, bom profissional, ganhar dinheiro... por que não? Até namorada eu tinha. Tudo, porém, foi diferente a partir daquele dia em que me senti chamado. A escolha do lema, oito anos mais tarde tem tudo a ver com esse dia do meu chamado, lembro-me como se fosse agora. A primeira parte do verso, “seduziste-me Senhor” tem tudo a ver com o que creio.



 Creio que Deus é assim, é d'Ele a inciativa, é Ele quem chama, e chama a quem Ele quer, quando quer e quantas vezes se fizerem necessárias. O chamado é gratuidade, nada tem a ver com o merecimento da pessoa chamada. É presente de Deus, chamado sedutor, mas que respeita a inteligência humana, sua liberdade e capacidade de resposta. A segunda parte do verso... “e eu me deixei seduzir” tem tudo a ver com minha condição de filho, chamado à existência, a ser na vida imagem e semelhança do Próprio Deus Criador. Experimentei seu chamado, senti a força de sua sedução, mas ao mesmo tempo a docilidade da sua paciência e respeito. Tinha que dar a minha resposta. E só podia ser a minha resposta. Porque Deus dispõe, propõe, mas não impõe; seduz, mas não sufoca; brilha no horizonte da pessoa, mas sem ofuscá-la; convida e aguarda paciente a decisão livre, consciente, responsável do chamado. Contudo, a segunda parte também tem tudo a ver comigo, com o meu caráter, a minha personalidade: amo a minha liberdade, assumo responsavelmente as minhas decisões, respeito as escolhas das outras pessoas e detesto imposições.



 Vi nesse lema “seduziste-me Senhor e eu me deixei seduzir” um extraordinário exemplo de parceria Deus-Homem que tem tudo para dar certo. Deus faz a maior parte – sem sombra de dúvida - e eu me deixo seduzir pelo seu amor, me entrego, me realizo como pessoa e como padre na Igreja do seu Filho. Assim eu creio, assim procuro viver. Assim continuo enquanto Deus quiser e permitir. Minha vocação como resposta é pura gratidão. Deus seja louvado!